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PERSPECTIVA DE MAIS ESTÍMULOS E POR VACINA PUXA BOLSA E FAZ DÓLAR E JUROS CAÍREM

PERSPECTIVA DE MAIS ESTÍMULOS E POR VACINA PUXA BOLSA E FAZ DÓLAR E JUROS CAÍREM

A perspectiva de mais estímulos pelo governo dos EUA e de uma vacina contra a covid-19 até janeiro de 2021, segundo o principal infectologista americano, Anthony Fauci, levou as bolsas às máximas e o dólar às mínimas na segunda metade do dia. Mais cedo, os mercados já se mostravam positivos depois que Donald Trump reforçou que o acordo com a China continua de pé e de novos dados sinalizando o início de uma recuperação da economia americana. Ainda que uma parte do fôlego tenha se dissipado na reta final, o apetite por risco prevaleceu, com os principais índices americanos em alta e o Nasdaq em novo recorde histórico. À tarde, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, afirmou que o próximo pacote de estímulos do governo americano pode ser apresentado em julho e será “muito mais direcionado”, para apoiar empresas afetadas pela pandemia de covid-19. Esse bom humor externo favoreceu moedas emergentes, incluindo o real. E depois de subir por sete sessões, o dólar engatou a terceira queda seguida diante da moeda brasileira, encerrando o dia a R$ 5,1517, com desvalorização de 2,26%. Em meio ao noticiário mais positivo e sem novidades no âmbito político, investidores aproveitam para reduzir posições contra o real no mercado futuro, amplificando a queda do dólar. O movimento do câmbio fez os juros futuros longos e intermediários fecharem em baixa, enquanto os curtos ficaram de lado. Até porque, a ata do Copom veio em linha com o comunicado que acompanhou a decisão da semana passada e manteve apostas quase divididas para a reunião de agosto, com 55% de chance de corte de 25 pontos-base e 45% de possibilidade de manutenção da Selic em 2,25% ao ano. Por fim, o Ibovespa, com desempenho que chegou a ficar abaixo dos pares em Wall Street, voltou a ter um pregão positivo, ao subir 0,67%, aos 95.975,16 pontos. Na máxima, chegou a se aproximar dos 97,5 mil pontos. E embora a percepção de risco político tenha se amenizado nos últimos dias, o quadro doméstico continua no radar e inspirando alguma cautela. As embaixadas do Brasil na Europa receberam a carta do grupo formado por 30 fundos internacionais, de países como Suécia, Japão e Reino Unido, que ameaçam tirar seus recursos do País, se o governo não trabalhar para deter o desmatamento.

 

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MERCADOS INTERNACIONAIS

Com o ruído sobre a manutenção do acordo comercial sino-americano superado, as bolsas de Nova York encerraram em alta e o índice Nasdaq atingiu nova máxima histórica de fechamento. O mercado acionário também foi impulsionado pelo avanço do índice dos gerentes de compras (PMI) dos EUA em junho e pelo otimismo do principal infectologista americano, Anthony Fauci, sobre a possibilidade de haver uma vacina para covid-19 até janeiro de 2021. Presidente do Federal Reserve de Saint Louis, James Bullard reforçou a expectativa de recuperação econômica no segundo semestre deste ano. No mercado cambial, os investidores desfizeram posições em dólar e a moeda americana recuou ante outras divisas fortes. Na renda fixa, por outro lado, ainda houve cautela e os juros dos Treasuries não mantiveram direção única. O petróleo fechou em queda, em uma sessão volátil, antes da divulgação de dados sobre estoques da commodity nos EUA.

 

“Existe uma clara correlação entre o nível definitivo das ações e a quantidade de ceticismo entre os participantes do mercado em relação à avaliação de ativos de risco”, afirma o analista Ian Lyngen, do BMO Capital Markets. Em relatório, o profissional destaca a volta do apetite por risco entre os investidores logo que Trump garantiu que o acordo comercial com a China estava “intacto”, depois de o assessor econômico Peter Navarro ter dito ontem que o pacto estaria “acabado”. “Com esse tópico suficientemente esclarecido, as ações puderam continuar em alta”, ressaltou.

 

Com o otimismo novamente dando o tom para os negócios, as bolsas de Nova York fecharam com ganhos. O índice acionário Dow Jones avançou 0,50%, a 26.156,10 pontos, o S&P 500 subiu 0,43%, a 3.131,29 pontos, e o Nasdaq ganhou 0,74%, a 10.131,37 pontos, novo recorde histórico de fechamento. O mercado acionário americano ganhou impulso, também, da leitura preliminar do PMI dos EUA, que subiu de 37 em maio para 48,8 em junho, segundo a IHS Markit. “A recuperação em forma de V nos PMIs fornece mais evidências de que a atividade está se recuperando rapidamente, à medida que os bloqueios diminuem”, avalia Andrew Hunter, economista sênior para EUA da Capital Economics, em relatório. O profissional da consultoria britânica acredita, também, que o crescimento do número de novas infecções por covid-19 em Estados americanos representa um risco, mas será um obstáculo “modesto” à retomada.

 

Declarações do diretor do Instituto de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA, Anthony Fauci, também animaram o mercado. O infectologista mostrou otimismo com a possibilidade de haver uma vacina para o coronavírus até janeiro de 2021, embora tenha alertado para um “salto perturbador” em casos da doença em locais como Texas e Flórida.

 

Presidente do Fed de St. Louis, Bullard reafirmou hoje a expectativa de uma retomada econômica no segundo semestre do ano e disse esperar que a maior parte da economia retome o nível de produção anterior à pandemia. Já o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, confirmou que o governo americano prevê um novo pacote fiscal para julho e disse que os estímulos serão mais direcionados do que os anteriores.

 

No mercado cambial, a menor busca por segurança levou o dólar a recuar ante outras divisas fortes. O índice DXY, que mede a variação da moeda dos EUA em relação a seis rivais, fechou em queda de 0,40%, a 96,646 pontos. “O otimismo global sobe e afunda o dólar”, comenta o analista de mercado Joe Manimbo, do Western Union, em relatório.

 

Certa cautela, no entanto, persistiu no mercado de renda fixa e deixou os juros dos Treasuries sem direção única. No final da tarde em Nova York, o rendimento da T-note de 2 anos recuava a 0,189% e o da T-note de 10 anos subia a 0,717%. “A parte dianteira da curva demonstrou uma quantidade notável de estabilidade, com os rendimentos de 2 anos permanecendo abaixo de 0,200%”, afirma Ian Lyngen, do BMO.

 

O petróleo, por sua vez, fechou em baixa, depois de ter operado em alta durante o pregão. Na Nymex, o WTI para agosto caiu 0,88%, a US$ 40,37 o barril. Na ICE, o Brent para o mesmo mês recuou 1,04%, a US$ 42,63 o barril. No final desta tarde, serão divulgadas as estimativas do American Petroleum Institute (API) para os estoques da commodity nos EUA na semana passada. Amanhã, quarta-feira, saem os dados do Departamento de Energia americano.

 

Na Argentina, o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 5,4% no primeiro trimestre de 2020, na comparação anual. No México, um terremoto atingiu a região sul do país e há confirmação de pelo menos duas mortes. (Iander Porcella – [email protected])

 

 

CÂMBIO

O dólar teve o terceiro dia seguido de queda, período em que recuou 4,1%. Hoje as cotações foram influenciadas principalmente pelo exterior. Indicadores da atividade divulgados nesta terça-feira vieram melhores que o previsto e reforçaram a visão de recuperação bem encaminhada das principais economias mundiais, o que estimulou a busca por ativos de risco, enfraquecendo a moeda americana globalmente. Além disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, reforçou que o acordo com a China continua de pé e a Casa Branca minimizou a possibilidade de nova paralisação da economia americana por causa do coronavírus, além de sinalizar que uma vacina para a doença está a caminho.

 

A com perspectiva de votação amanhã no Senado do marco regulatório do saneamento, que pode atrair capital estrangeiro ao Brasil, contribui para tirar pressão do câmbio, também beneficiado pelo noticiário político sem surpresas hoje. O real foi a moeda que mais ganhou força nesta terça-feira no mercado internacional em uma lista de 34 divisas. No mercado à vista, o dólar terminou em baixa de 2,26%, cotado em R$ 5,1517. Com isso, acumula queda de 3,5% em junho e de 7,7% nos últimos 30 dias. Na mínima hoje, caiu a R$ 5,13. No mercado futuro, o dólar para julho era cotado em R$ 5,1575, em queda de 1,84% às 17h.

 

Em meio ao noticiário mais positivo, grandes investidores vêm reduzindo posições contra o real no mercado futuro de dólar da B3. Os estrangeiros zeraram posição “comprada”, que ganha com a alta da moeda americana, e passaram a ficar “vendidos”, ou seja, acreditam na queda do dólar, com saldo de 10 mil contratos ontem. Fundos nacionais, que já estavam vendidos, elevaram estas apostas em 5 mil contratos ontem (US$ 250 milhões), de acordo com dados da B3 monitorados pela corretora Renascença.

 

“O otimismo dos investidores com a recuperação manteve o dólar em baixa”, afirma o analista sênior de mercados do banco especializado em transferências internacionais Western Union, Joe Manimbo. O reflexo foi que o euro se fortaleceu, sobretudo após bons indicadores na Europa, e o iene se enfraqueceu, sinalizando a busca por ativos de risco. O PMI industrial da zona do euro, por exemplo, subiu para 46,9 pontos, acima das previsões de aumento para 44,5 pontos.

 

“Os dados globais dos PMI mostraram que o retorno econômico está bem encaminhado e superando as expectativas”, ressalta o analista de mercado financeiro da Oanda em Nova York, Edward Moya. Com isso, o dólar se enfraqueceu, o petróleo subiu e o ouro caiu.

 

Com os mercados muitos sensíveis aos desdobramentos da relação EUA/China, o analista da Western Union ressalta que a mensagem de Trump afirmando que o acerto comercial entre os dois países está “completamente intacto” ajudou a estimular o apetite por risco. Assim, moedas de emergentes e de países exportações de commodities ganharam força.

 

No final da tarde, o secretário de Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, afirmou que a Casa Branca “considera seriamente” outro pacote de estímulo e que é “altamente improvável” que o país tenha de paralisar a economia novamente. Além disso, o principal infectologista americano, Anthony Fauci, mostrou otimismo ao falar de uma vacina para o coronavírus, destacando que até o final do ano ou em janeiro de 2021 já esteja disponível.

 

“O dólar permanece sob pressão”, afirmam os estrategistas de moedas do banco americano Brown Brothers Harriman (BBH). O DXY, índice que mede o dólar ante divisas fortes, voltou a cair para a faixa dos 96 pontos, atingindo o menor nível desde 16 de junho. Para o BBH, o indicador pode testar agora as mínimas batidas em 10 de junho, de 95.716 pontos. (Altamiro Silva Junior – [email protected])

 

 

Dólar (spot e futuro)   Último   Var. %   Máxima   Mínima

Dólar Comercial (AE) 5.15170 -2.2559 5.22700 5.13470

Dólar Comercial (BM&F) 5.3080 0

DOLAR COMERCIAL 5165.000 -1.7033 5228.500 5135.500

DOLAR COMERCIAL FUTURO 5150.000 -1.67064 5164.000 5150.000

 

 

BOLSA

O Ibovespa conseguiu retomar a trajetória ascendente que havia sido interrompida ontem, após quatro ganhos consecutivos. Hoje, o índice de referência da B3 mostrou ganho moderado ao longo do dia, que o colocou aos 95.975,16 pontos, em alta de 0,67% no fechamento da sessão. Na máxima, voltou à marca psicológica dos 97 mil, a 97.485,59 pontos, em torno da linha de resistência, enquanto, na mínima, foi aos 95.343,52 pontos. Na semana, acumula até aqui perda de 0,62%, mas ainda avança 9,81% no mês. No ano, cede agora 17,01%.

 

Assim como ontem, o giro financeiro se mostrou um pouco mais acomodado, chegando hoje a R$ 26,3 bilhões. Em Nova York, os ganhos de hoje chegaram a ficar acima de 1%, com destaque mais uma vez para o Nasdaq (+0,74%), que voltou a renovar máxima histórica de fechamento. As ações de commodities (Petrobras PN +3,34%, Vale ON +1,07%) e de siderurgia (Usiminas +10,34%) tiveram desempenho positivo na sessão da B3, mas as perdas ainda que moderadas observadas em boa parte do setor bancário, com grande peso na composição do índice, limitaram o avanço do Ibovespa na sessão.

 

“O exterior contribuiu de forma positiva, com Larry Kudlow, principal assessor econômico da Casa Branca, tendo minimizado a chance de segunda onda de Covid nos EUA, além das leituras favoráveis dos PMIs na Europa, que sinalizam uma retomada da atividade em V”, diz Pedro Galdi, analista da Mirae. Após ter reafirmado mais cedo que o acordo comercial com a China permanece de pé, o que agradou aos mercados, o presidente dos EUA, Donald Trump, em campanha de reeleição até aqui enfraquecida, voltou a direcionar os canhões contra o rival geopolítico, ao dizer que a pandemia de Covid-19 é “um presente vindo da China” – o que contribuiu para NY moderar a alta.

 

Mais cedo, os dados e noticiário positivos ajudaram nos ganhos observados em Wall Street e, especialmente, nas bolsas da Europa – o que colocava o Ibovespa a caminho, pelo segundo dia, de desempenho abaixo do observado em Nova York, invertendo o padrão observado na semana passada. Entre os dias 8 e 10 de junho, o Ibovespa conseguiu ir à faixa de 97,6 mil pontos nas máximas daquelas sessões, as maiores desde 9 de março (97.982,08 pontos). Na sessão anterior, de 6 de março, o Ibovespa fechou aos 97.996,77 pontos, pela primeira vez no ano encerrando abaixo dos 100 mil pontos – em 5 de março, estava em 102.233,24 pontos.

 

Recuperar os 98 mil pontos é um passo importante para que o Ibovespa retome os 100 mil, mas, até que isso aconteça, a expectativa é por lateralização ou realização de lucros no curtíssimo prazo, tendo em vista os ganhos que se acumularam nos últimos três meses – após avanço de 10,25% em abril e de 8,57% em maio, o Ibovespa segue até aqui a caminho de alta de 9,81% em junho, faltando cinco sessões para fechar o mês.

 

Em NY, os índices chegaram a ganhar fôlego nesta terça-feira e avançar mais de 1% após o diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, ter dito ao Congresso que está “cautelosamente otimista” de que uma vacina contra a doença estará disponível em breve, até o início de 2021.

 

“Aqui, a ata do Copom trouxe o esperado, a possibilidade de mais um corte ‘residual’ na Selic. Sabemos que o segundo semestre no Brasil não será fácil, na economia como na política, mas temos uma situação de fluxo de recursos, que não tem muito para onde correr, com os juros onde estão”, observa Galdi. “Depois do tombo de março, a recuperação de abril e maio se estende a junho, com ganho perto de 10% para o Ibovespa no mês. O viés na Bolsa é positivo, apesar das dificuldades”, conclui.

 

Embora a percepção de risco político tenha se amenizado em relação ao observado no fim de abril e início de maio, o quadro doméstico, ainda que em segundo plano no momento, continua no radar, inclusive do exterior. As embaixadas do Brasil na Europa receberam a carta do grupo formado por 30 fundos internacionais, de países como Suécia, Japão e Reino Unido, que ameaçam tirar seus recursos do País se o governo não trabalhar para deter o desmatamento.

 

Em outro desdobramento negativo, refletindo a pandemia, a Receita Federal informou hoje que a arrecadação de R$ 77,415 bilhões em maio foi a menor para o mês desde 2005, quando somou R$ 76,178 bilhões, na série já atualizada pela inflação.

 

Questionado hoje sobre a possibilidade de aumentar a emissão de moeda para enfrentar a crise decorrente da pandemia, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, respondeu que “ainda há espaço para a política monetária atuar”. Mais cedo, o Banco Central reiterou, por meio da ata do último encontro do Comitê de Política Monetária, que eventual ajuste futuro na Selic será apenas “residual”. Na semana passada, o Copom reduziu a Selic pela oitava vez consecutiva, em 0,75 ponto porcentual, de 3,00% para 2,25% ao ano. (Luís Eduardo Leal – [email protected])

 

 

Índice Bovespa   Pontos   Var. %

Último 95975.16 0.67047

Máxima 97485.59 +2.25

Mínima 95343.52 +0.01

Volume (R$ Bilhões) 2.62B

Volume (US$ Bilhões) 5.08B

Índ. Bovespa Futuro   INDICE BOVESPA   Var. %

Último 95945 0.15136

Máxima 97665 +1.95

Mínima 95845 +0.05

 

 

JUROS

Os juros futuros fecharam a terça-feira em baixa nos vencimentos longos e intermediários, enquanto a ponta curta terminou de lado. A ata do Copom, estrela da agenda, veio em linha com o comunicado da decisão da semana passada e, assim, não serviu para desempatar o quadro de apostas para a Selic na reunião de agosto. As expectativas do mercado continuam divididas entre corte de 0,25 ponto porcentual e manutenção no nível de 2,25%. Nos vencimentos longos, prevaleceu a melhora do apetite pelo risco no exterior, que enfraqueceu o dólar e fez recuar o nível dos Contratos de Default Swap (CDS, em inglês) do Brasil para perto dos 250 pontos.

 

Nesse cenário, a curva devolveu o ganho de inclinação registrado ontem, tendo ainda favorecido esse movimento hoje o detalhamento por parte do Banco Central de seu programa de compra de títulos assegurado na PEC do Orçamento.

 

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 encerrou com taxa a 2,035% (mínima), de 2,034% ontem no ajuste, e o DI para janeiro de 2022, com taxa de 3,01% (3,03% ontem no ajuste). A do DI para janeiro de 2025 passou de 5,913% para 5,81% e a do DI para janeiro de 2027 caiu de 6,903% para 6,80%.

 

Paulo Nepomuceno, operador de renda fixa da Terra Investimentos, afirma que o destaque do dia hoje foram as moedas. “O real ganhou muito mais que as outras emergentes no dia e, com o risco-País caindo gradualmente, foi bom para a ponta longa”, afirmou, ponderando, porém, que, mesmo assim, a divisa brasileira ainda está muito atrasada ante seus pares.

 

Outro fator positivo para reduzir a inclinação foi o anúncio do BC das regras para compra de ativos privados no mercado secundário, segundo Nepomuceno. Serão elegíveis ativos com risco de crédito equivalente a BB- ou superior, depositados em depositária central, não conversíveis em ações. O prazo de vencimento deverá ser igual ou superior a 12 meses.

 

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, fez questão de destacar que o anúncio não deveria ser lido como o começo do processo, evitando comentar quando dará o start. “Trata-se de um mercado com liquidez reduzida, então devemos anunciar um programa de atuações. Quando entrarmos, vamos comprar títulos privados por alguns dias”, afirmou. Ele disse ainda que a atuação do BC será abrangente. “Não vamos atuar para salvar um ou outro investidor”, completou.

 

Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, com o detalhamento das medidas, fica reforçada a ideia de que “a Selic está próxima de um limite mínimo e que, daqui para a frente, [o BC] vai comprar ativos e não cortar juros”. “A compra de títulos privados pelo BC busca aumentar a liquidez de tais títulos no mercado secundário, reduzindo a pressão do risco nas taxas de juros nas emissões primárias. São, assim, operações focadas em alvos determinados. Substituem, em tese, reduções na Selic”, afirma. O economista, porém, acredita que a recuperação da economia será mais lenta que o esperado, o que levará a Selic para até 1,5%.

 

André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos, lembra que com a curva menos inclinada fica mais fácil para o BC testar novos limites para a taxa básica. “Pode ficar mais confortável para seguir reduzindo o juro”, disse ele, que espera apenas mais um corte de 0,25 ponto.

 

Na curva a termo, a precificação para a Selic em agosto, no fim da tarde, era de -14 pontos-base, ou 55% de chance de corte de 0,25 ponto porcentual, contra 45% de probabilidade de manutenção. Os cálculos são do Haitong Banco de Investimentos.

 

Após a escalada das posições compradas dos contratos em aberto por investidores estrangeiros ao longo da semana passada na B3, com o estoque superando 1,8 milhão e retomando níveis de março, desde sexta-feira tais posições tiveram queda, voltando a ficar abaixo de 1 milhão, segundo dados compilados pela Renascença DTVM. O total dos não-residentes, que na quinta era de 1.620.225 contratos em aberto, ontem fechou em 907.105. (Denise Abarca – [email protected])

 

 

Operação

CDB Prefixado 30 dias (%a.a) 2.15

Capital de Giro (%a.a) 7.02

Hot Money (%a.m) 0.82

CDI Over (%a.a) 2.15

Over Selic (%a.a) 2.15

 

 

 

 

 

 

 

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