LIQUIDAÇÃO DE MOEDAS EMERGENTES LEVA DÓLAR A MAIOR NÍVEL ANTE REAL EM MAIS DE 1 ANO

O dólar estendeu os ganhos ante o real durante a tarde desta terça-feira, marcando uma
sessão em que os ativos domésticos seguiram a toada de desvalorização vista em
mercados emergentes. Desde a manhã, o recuo do petróleo e do minério de ferro já vinha
incomodando. Mas o reforço veio de uma nova onda de liquidação do peso do México,
após resultado eleitoral amplamente favorável à coalizão governista, que tem projetos
desfavoráveis à abertura econômica do país. Pela razão contrária, a rupia da Índia foi
penalizada. O resultado eleitoral no gigante asiático mostrou a força da oposição ao
premiê Narendra Modi, de direita. Assim, o real entrou na cesta de vendas do investidor
internacional hoje. A divisa americana subiu a R$ 5,2854 (+0,98%), marcando o maior
nível de fechamento em um ano e três meses. A piora no câmbio foi refletida também nos
juros futuros, que não conseguiram seguir a queda dos juros dos Treasuries. Neste
ambiente avesso a emergentes, o PIB brasileiro melhor que o esperado e as medidas de
compensação pela desoneração da folha não tiveram força para animar o pregão. O
Ibovespa terminou o dia em 121.802,06 pontos, queda de 0,19%.
•CÂMBIO
•JUROS
•BOLSA
•MERCADOS INTERNACIONAIS
CÂMBIO
O dólar apresentou alta firme nesta terça-feira, 4, e fechou perto do nível psicológico e
técnico de R$ 5,30, nos maiores níveis desde fins de março do ano passado. O real sofreu
em conjunto com divisas emergentes, em dia marcado por nova rodada de queda de
preços das commodities, em especial de petróleo e minério de ferro.
Analistas veem um desmonte de apostas em moedas emergentes que tem como gatilho o
tombo do peso mexicano, em meio a temores de mudança da política econômica no
México. A candidata governista Claudia Sheinbaum não apenas levou o pleito como
conquistou ampla maioria no Congresso, o que abre as portas para a mudanças
constitucionais.
Já fragilizado recentemente pelos arranhões na credibilidade da política fiscal e
monetária, o real não apresentou hoje o pior desempenho entre seus pares. Além do
próprio peso mexicano, o rand sul-africano e o peso colombiano tiveram desvalorizações
mais acentuadas.
Com máxima a R$ 5,2961 à tarde, o dólar à vista encerrou o pregão em alta de 0,98%,
cotado a R$ 5,2854 – maior valor de fechamento desde 23 de março de 2023 (R$ 5,2900).
Em 2024, a moeda americana já acumula valorização de 8,90% em relação ao real.
O sócio e diretor de gestão da Azimut Brasil Wealth Management, Leonardo Monoli,
afirma que há uma mudança nas expectativas para os emergentes com as eleições no
México e também na Índia, após o desempenho abaixo do esperado do primeiro-ministro
Narendra Modi.
Monoli ressalta que o peso mexicano era a ponta “long” (comprada) da grande maioria
dos “trades de carrego” – ou seja, investidores se financiavam em moedas de países com
juros baixos, em especial o iene, para apostar na valorização da moeda mexicana.
“Pode e deve haver uma mudança para um governo mais gastador no México, que vai ter
maioria no Congresso. A rúpia também sentiu com um novo governo mais enfraquecido
na Índia. Isso aumentou o alarme em torno de emergentes”, afirma Monoli. “Nestes dias,
estamos assistindo um grande desmonte de ‘carry trades’, e isso acabou arrastando
praticamente todas as moedas”.
O economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, ressalta que o peso mexicano e o
real eram as grandes apostas dos investidores estrangeiros no fim do ano passado, diante
da expectativa, à época, de corte de juros nos EUA ainda no primeiro semestre.
“O real sofreu antes porque houve decepção com a agenda doméstica, principalmente
com o fiscal, e agora é a vez do peso mexicano passar por uma reavaliação. Com isso, o
apelo das divisas emergentes caiu muito. Há uma reavaliação das carteiras”, diz Oliveira,
ressaltando que dados recentes da economia chinesa também deprimiram os preços das
commodities, o que prejudicou o real.
Em relação a moedas pares, o dólar teve leve alta na comparação com o euro e forte baixa
ante o iene e o franco suíço. O índice DXY rondava a estabilidade no fim da tarde, ao redor
dos 104,120 pontos. As taxas dos Treasuries recuaram em bloco e, nas mínimas, tocaram
nos menores níveis em três semanas.
Nos EUA, relatório Jolts mostrou abertura de postos de trabalho abaixo do esperado nos
EUA em abril, o que levou a aumento das expectativas de corte total de 50 pontos-base
pelo Federal Reserve neste ano. Amanhã, sai o relatório ADP de emprego privado em maio
e na sexta-feira, 7, o relatório oficial de emprego (payroll).
Para Oliveira, do Pine, o mau humor com as moedas emergentes pode começar a se
dissipar quando se consolidar a aposta em um afrouxamento monetário consistente nos
EUA. “Pensando no ano que vem, o peso mexicano e o real podem se apreciar com uma
sequência de cortes de juros nos EUA. Um ou dois cortes, como já é esperado, não
bastam. Até lá, não vejo muito refresco”, afirma o economista.
Pela manhã, o IBGE informou que o PIB subiu 0,8% no primeiro trimestre em relação ao
quarto trimestre de 2023, acima da mediana de projeções Broadcast (0,7%) e com
aceleração da demanda doméstica. Esse quadro reforça a perspectiva de provável
interrupção do processo de corte da taxa Selic já na reunião do Comitê de Política
Monetária (Copom) neste mês.
A manutenção de uma taxa de juro real elevada, contudo, não consegue dar sustentação
ao real em meio à piora do sentimento em relação a emergentes e ao desconforto
crescente dos investidores com os rumos do governo Lula.
Monoli diz que as expectativas seguem se deteriorando com “grade preocupação” em
relação à política fiscal. Há também arranhão na credibilidade do Copom após a decisão
divida em maio, quando diretores indicados pelo governo Lula votaram por redução
menor da taxa Selic.
“A troca de comando no BC na virada do ano traz muita insegurança, com preocupação de
atuação mais ‘dove’ a partir de janeiro de 2025″, afirma o gestor, em referência à
substituição do atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, acrescentando que os
preços das commodities não ajudam as exportações e a sazonalidade positiva do fluxo
cambial pelo lado comercial se encerra na metade do ano. “Possivelmente o dólar pode
não ser somente um problema nesta semana, mas um problema para boa parte do
próximo semestre”.
17:32
Dólar (spot e futuro) Último Var. % Máxima Mínima
Dólar Comercial (AE) 5.28540 0.9820 5.29610 5.25000
Dólar Comercial (BM&F) 5.5866 0
DOLAR COMERCIAL 5300.000 0.6743 5308.500 5261.500
DOLAR COMERCIAL FUTURO 5306.000 0.5686 5306.000 5306.000
JUROS
O alívio dos juros futuros se esvaiu ao longo da tarde, conforme o dólar foi acelerando o
ritmo de avanço ante o real e renovando máximas na casa de R$ 5,29, o que colocou as
taxas em alta. A piora do câmbio acabou por mitigar a influência de queda dos
rendimentos dos Treasuries sobre a curva doméstica, num dia em que o PIB no primeiro
trimestre alimentou a cautela do mercado em relação à política monetária.
Às 17h05, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 estava
em 10,410%, de 10,394% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2026, em 10,85%, de
10,80%. O DI para janeiro de 2027 projetava taxa de 11,20%, de 11,16%, ontem, e o DI
para janeiro de 2029, taxa de 11,66% (de 11,63%).
As taxas estiveram em baixa moderada pela manhã, com o recuo nos yields dos
Treasuries servindo de anteparo ao impacto do PIB do primeiro trimestre, que subiu 0,8%
na margem, acima da mediana das estimativas (0,7%) e com abertura que mostra
atividade aquecida pela robustez do mercado de trabalho e pelo alívio na política
monetária. Pelo lado da demanda, chamou a atenção o crescimento de 1,5% no
consumo das famílias e os investimentos (+2,7%) e pelo lado da oferta, o PIB de serviços,
que cresceu 1,4% e atingiu patamar recorde.
“O crescimento do consumo e do investimento refletem o forte desempenho da demanda
doméstica, que cresceu 1,7% na margem”, destaca Luciano Costa, economista-chefe da
Monte Bravo, que calcula um carry over de 1% para o PIB este ano deixado pelo dado do
primeiro trimestre.
“Se não fossem os Treasuries, a curva hoje certamente abriria com o PIB e ao longo da
sessão o mercado também foi ficando muito nervoso com o dólar”, afirma Helena
Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos. Na segunda etapa dos negócios, os
juros zeraram a queda e passaram a subir com a escalada da moeda americana até R$
5,2961, que fechou hoje no maior nível desde março de 2023, a R$ 5,2854.
Num mercado já propenso a apostar no fim do ciclo de queda da Selic em função dos
níveis de desancoragens das expectativas de inflação em relação à meta de 3%, o dólar
perto dos R$ 5,30 somado ao PIB são vistos como argumentos para reforçar a postura
mais cautelosa do Banco Central, ainda que o ritmo de crescimento nos próximos
trimestres possa perder fôlego pelos efeitos das enchentes no Rio Grande do Sul, ainda
difíceis de mapear.
“O PIB acima do consenso e com uma composição mais forte nos segmentos mais
sensíveis ao mercado de trabalho dão maior robustez às narrativas de maior preocupação
com as expectativas de inflação e, portanto, ao fim do ciclo de corte de juros”, avalia o
economista Álvaro Frasson, do BTG Pactual.
Em Roma, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, demonstrou apoio ao trabalho do
Banco Central. “Tenho muita confiança técnica no Banco Central. Temos pessoas
qualificadas que vão tomar a melhor decisão levando em conta todos esses fatores”,
Haddad ao abordar as próximas reuniões do Copom. Ele defendeu que o BC continue a
perseguir as metas de forma a manter a inflação baixa. “Essa é minha crença, de que os
diretores [do BC] vão se guiar por essa missão institucional.”
A curva americana, por sua vez, respondeu a dados fracos da economia dos EUA, com
destaque para a abertura de postos de trabalho no relatório Jolts, que diminuiu para 8,059
milhões em abril, com revisão em baixa nos dados de março. As taxas dos Treasuries
chegaram nas mínimas à tarde a operar nos menores níveis em quase três semanas. Por
volta das 17h, a taxa da T-Note de dez anos estava em 4,33%, após ter chegado a romper
ontem o nível de 4,40%. Outro fator a contribuir para o ajuste é a expectativa de queda de
juro pelo Banco Central Europeu (BCE), que se reúne na quinta-feira.
O relatório Jolts e a pesquisa ADP que sai amanhã antecedem a divulgação do relatório de
emprego de maio, na sexta-feira. “Se o payroll vier na mesma linha, setembro tende a se
consolidar nas apostas do mercado”, afirma Veronese, a respeito do mês em que o
Federal Reserve começará a cortar juros. Além disso, os indicadores do dia também
elevaram as apostas de que a autoridade monetária entregará uma redução acumulada
de 50 pontos-base nos juros este ano, com duas quedas de 25 pontos.
Com a agenda carregada aqui e no exterior, o mercado mal teve tempo de digerir as
medidas para compensar a desoneração da folha de pagamentos para 17 setores da
economia e municípios neste ano, por ora em segundo plano em termos de efeito sobre
os ativos.
O Ministério da Fazenda apresentou hoje a limitação da compensação de créditos de
PIS/Cofins de forma geral e de créditos presumidos de PIS/Cofins não ressarcíveis como
medida para bancar a desoneração. De acordo com a Receita, o custo da desoneração
em 2024 é de R$ 26,3 bilhões. As medidas propostas podem gerar receitas de até R$ 29,2
bilhões, segundo a Fazenda
BOLSA
Mesmo com leitura do PIB brasileiro acima do esperado para o primeiro trimestre – em
alta de 0,8% na margem, ante mediana a 0,7% para o intervalo -, e a despeito de nova
retração dos rendimentos dos Treasuries e de alta nos índices de ações em Nova York, o
Ibovespa não evitou a quinta perda consecutiva, hoje em baixa de 0,19%, aos 121.802,06
pontos, em dia de pressão sobre o câmbio e de avanço na curva de juros doméstica.
Assim, com os ativos do País ainda na defensiva, o índice da B3 resvalou na mínima do dia
aos 120.878,36, permanecendo nos menores níveis desde meados de novembro, saindo
de máxima a 122.031,66, correspondente à abertura. O giro financeiro ficou em R$ 20,6
bilhões nesta terça-feira. No agregado das duas primeiras sessões, o Ibovespa acumula
perda de 0,24% na semana e no mês, colocando a do ano a 9,23%.
As ações de utilities – tipicamente vistas como defensivas – conseguiram se afastar da
fraqueza do apetite por risco e subiram nesta terça-feira. Eletrobras ON e PNB marcavam,
respectivamente, alta de 0,87% e 0,86% no fechamento.
Com o prosseguimento da correção do minério de ferro na China – hoje em baixa de
2,11% em Dalian, a US$ 115,14 por tonelada, ainda nos menores níveis de preço desde
meados de abril -, o setor metálico se alinhou entre os perdedores da sessão, com
destaque, além de Vale (ON -1,02%), para CSN (ON -1,50%) e Gerdau (PN -1,14%). “O
segmento de materiais básicos, com o IMAT em baixa de quase 1% (-0,95%) no
fechamento, foi muito mal, nem mesmo o setor de celulose conseguiu se descolar”, diz
Bernard Faust, sócio da One Investimentos.
Após a perda superior a 3% para o Brent e WTI na sessão anterior, a correção nos preços
do petróleo prosseguiu nesta terça-feira, ainda que mais discreta, em queda na casa de
1%, no fechamento, para ambas as referências. Petrobras ON e PN mostravam,
respectivamente, baixa de 0,57% e de 1,11% no fim do dia.
Os grandes bancos, por sua vez, viraram à tarde e tiveram desempenho majoritariamente
positivo no fechamento, à exceção de Santander (Unit -2,37%) – em mudança de direção
que contribuiu para moderar as perdas do Ibovespa, no encerramento. Destaque para
Bradesco PN, em alta de 0,94% nesta terça-feira.
Na ponta do índice, SLC Agrícola (+3,04%), TIM (+2,59%) e Embraer (também +2,59%). No
lado oposto, Magazine Luiza (-8,12%), Pão de Açúcar (-4,22%) e Vamos (-3,58%).
“O principal gatilho para a queda do Ibovespa hoje foi a baixa no preço das commodities,
que pesa também sobre o real em paralelo a outras moedas de emergentes ligadas a
matérias-primas, que acumulam, assim, perdas em relação ao dólar”, diz Jaqueline Kist,
sócia da Matriz Capital.
Sem força para uma retomada da Bolsa em meio à persistência de dúvidas sobre o nível
de juros nos EUA e no Brasil ao fim de 2024, os dados do PIB do primeiro trimestre,
embora acima do esperado, foram recebidos no retrovisor, considerando também que os
efeitos das enchentes no Rio Grande do Sul, entre abril e maio, serão sentidos adiante.
“A tragédia no Rio Grande do Sul pode ter impacto negativo de 0,2 a 0,3 ponto porcentual
sobre o PIB, mas isso dependerá do tamanho dos prejuízos. No médio e longo prazo, a
reconstrução da região pode trazer impacto positivo para o crescimento do país”, observa
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno, que projeta expansão de 2,1% para a
economia brasileira em 2024.
Também na agenda de indicadores desta manhã, o mercado tomou nota da leitura mais
fraca do que se antecipava para o relatório JOLTS nos Estados Unidos, relativo ao giro da
mão de obra no país, uma métrica que costuma ser monitorada de perto pelo Federal
Reserve. Na sexta-feira, será a vez do ainda mais aguardado relatório oficial sobre a
geração de vagas de trabalho em maio, o payroll, com dados como o ganho salarial médio
e a taxa de desemprego.
Com o JOLTS um pouco mais fraco, houve um movimento de fechamento de juros na
curva americana nesta terça-feira, observa a economista-chefe da Veedha Investimentos,
Camila Abdelmalack. Um ajuste que, contudo, não se refletiu nem no câmbio, nem na
curva de juros doméstica, ambos em alta nesta terça-feira. No fechamento de hoje, o
dólar à vista mostrava alta de 0,98%, a R$ 5,2854, tendo chegado a R$ 5,2961 na máxima
do dia. “Os investidores devem manter a cautela ao longo da semana, considerando os
dados, também sobre o mercado de trabalho, que sairão na quarta e sexta-feira, nos
Estados Unidos”, diz Camila.
“Mais uma sessão de baixa liquidez na B3, com o dólar futuro atingindo R$ 5,30. Na ótica
do investidor estrangeiro, que olha para nossa Bolsa em dólar, o patamar em que se está
hoje é extremamente depreciado. Vale ressaltar que nos últimos dias tivemos o menor
porcentual de ativos negociados acima da média de 200 períodos, dos últimos dois anos.
Cerca de 25% a 26% dos ativos da Bolsa se mantêm acima dessa média, um patamar
muito baixo”, enfatiza Faust, da One Investimentos
17:29
Índice Bovespa Pontos Var. %
Último 121802.06 -0.1881
Máxima 122031.66 0.00
Mínima 120878.36 -0.95
Volume (R$ Bilhões) 2.06B
Volume (US$ Bilhões) 3.91B
17:32
Índ. Bovespa Futuro INDICE BOVESPA Var. %
Último 121940 -0.0574
Máxima 122185 +0.14
Mínima 121120 -0.73
MERCADOS INTERNACIONAIS
Os retornos dos Treasuries ampliaram perdas e tocaram mínimas em quase três
semanas, enquanto as bolsas de Nova York melhoraram o apetite e fecharam em alta,
depois de investidores interpretarem os dados de mais cedo, que impulsionaram a
expectativa por cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed). A curva futura intensificou
apostas por dois cortes até o fim de 2024, segundo monitoramento do CME Group, que
agora indica chance de 40,5% para queda de 50 pontos-base. Com isso, o dólar ficou sem
direção única contra moedas desenvolvidas, avançando contra o euro às vésperas da
decisão de política monetária do Banco Central Europeu que provavelmente começará o
ciclo de flexibilização por lá. Já para moedas em desenvolvimento, as eleições
presidenciais no México, África do Sul e Índia favoreceram a moeda americana. Entre as
commodities, o petróleo deu continuidade ao movimento de queda visto ontem,
somando recuo de quase 5% nas últimas duas sessões, conforme o mercado permanece
preocupado com a capacidade da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e
aliados (Opep+) de entregar os cortes na produção e manter a oferta apertada.
Após o relatório Jolts indicar uma redução na abertura de postos de trabalho nos EUA e
revisar para baixo as últimas leituras, a ferramenta do CME registrou um aumento nas
apostas por dois cortes de juros pelo banco central americano neste ano. Agora, a chance
dos juros caírem em 50 pontos-base é de 40,5%, e a de caírem em apenas 25 é de 31,4%.
Com isso, os retornos dos Treasuries ampliaram o movimento de queda visto mais cedo e
tocaram mínimas em quase três semanas, com o juro do T-bond de 30 anos voltando a
ficar abaixo dos 4,5%. No fim da tarde em Nova York, o rendimento da T-note de 2 anos
cedia a 4,470%, da T-note de 10 anos baixava a 4,326% e o do T-bond de 30 anos caía a
4,474%. Nas mínimas do dia, as taxas de 2 e 10 anos atingiram os níveis mais baixos
desde 16 de maio, enquanto a de 30 anos tocou menor valor desde 10 de abril
No câmbio, o dólar ficou difuso contra desenvolvidos. O iene se fortaleceu fortemente
contra a moeda americana, depois do presidente do Banco do Japão (BoJ), Kazuo Ueda,
afirmar que as taxas de juros podem subir outra vez em breve. Contra o euro, o dólar
avançou, já de olho na decisão do BCE nesta semana. O ING escreve que uma redução de
25 pontos-base “já está completamente inserido na curva de juros”, mas que investidores
aguardam o comunicado para saber o que virá depois de junho, ainda levemente incerto.
Também hoje, o peso mexicano recuou contra o dólar, diante de preocupações de que o
partido da presidente eleita, Cláudia Scheinbaum, ganhe força suficiente para aprovar
medidas desfavoráveis ao mercado. Após as eleições na Índia e na África do Sul, as
moedas locais também recuaram, visto que ambos os vencedores – Narendra Modi e o
Congresso Nacional Africano, respectivamente – precisarão formar coalisões para
governar.
No fim da tarde em Nova York, o dólar caía a 154,79 ienes, o euro recuava a US$ 1,0883 e
a libra tinha baixa a US$ 1,2773. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de
moedas fortes, registrava queda de 0,02%, a 104,123 pontos. Entre emergentes, o dólar
subia a 17,8984 pesos mexicanos; avançava a 83,606 rupias indianas; e se valorizava a
18,7263 Rands sul-africanos.
Pela manhã, os índices acionários de Nova York oscilavam no vermelho, apesar da
abertura de postos de trabalho nos Estados Unidos, medida pelo relatório Jolts, sustentar
as expectativas por cortes de juros. Conforme o dia foi passando, o humor melhorou e as
bolsas subiram. Para a gestora Navellier, o relatório Jolts pode ter suscitado a
preocupação de investidores sobre uma possível desaceleração econômica nos EUA, e
esse argumento se sobrepôs a uma euforia com cortes de juros, por isso o fôlego em
Nova York foi limitado. No S&P 500, o setor de energia acumulou o segundo maior recuo
de hoje, de 0,97%, e pesou sobre o índice, na esteira da queda de quase 5% do petróleo
nos últimos dois pregões, em meio a temores sobre um possível excesso de oferta. No
fechamento, o índice Dow Jones teve alta de 0,36%, aos 38.711,29 pontos; o S&P 500
subiu 0,15%, aos 5.291,34 pontos; e o Nasdaq teve ganhos de 0,17%, aos 16.857,05
pontos.
A reunião da Opep+ neste fim de semana continua no foco de investidores de
commodities, que seguem preocupados com a flexibilização das reduções voluntárias
pelos países do cartel. Segundo a Capital Economics, a Opep+ deve injetar mais petróleo
no mercado no próximo ano, a fim de proteger sua hegemonia comercial. Paralelo a isto, a
produção de países fora do grupo deve continuar se ampliando e, com isso, os preços
devem cair ainda mais, afirma a consultoria. O Danske destaca também que, conforme
crescem as expectativas por um cessar-fogo no Oriente Médio, os preços do petróleo
também serão prejudicados. O WTI para julho fechou em baixa de 1,31% (US$ 0,97), em
US$ 73,25 o barril, na Nymex, e o Brent para agosto recuou 1,07% (US$ 0,84), a US$ 77,52
o barril, na ICE.