DÓLAR VAI A R$ 5,72 E DI DEVOLVE ALÍVIO APÓS PEC QUE PODE LIBERAR EMENDA PARLAMENTAR

Blog, Cenário

A chance do lançamento de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para renovar programas de combate aos efeitos da covid-19 via crédito extraordinário, sem ter de acionar o estado de calamidade, trouxe estresse ao mercado doméstico na tarde desta segunda-feira. Embora a PEC “carimbe” os recursos e possa ajudar a resolver o impasse do Orçamento de 2021, abrindo espaço para emendas parlamentares, preocupa os agentes o fato de o texto poder prever que parte dos gastos com saúde fique de fora do teto de gastos, âncora que ainda garante certa credibilidade fiscal ao Brasil, além de acentuar as divisões das alas fiscalista e política no Ministério da Economia. Os bastidores das negociações, relevados com exclusividade pelo Broadcast, foram o impulso para que o dólar à vista renovasse máximas sequenciais até chegar aos R$ 5,74 na máxima, fazendo mais uma vez o real ser a moeda com pior desempenho entre as 34 mais líquidas. No encerramento da sessão, a divisa estava cotada a R$ 5,7224, com alta de 0,84%. Nos juros futuros, a notícia pegou o mercado quase no encerramento da sessão regular, mas foi suficiente para zerar o alívio nos prêmios visto ao longo de todo o pregão. Na Bolsa brasileira, por sua vez, a alta de blue chips como Petrobras e bancos segurou o índice, também marcado pela disputa entre comprados e vendidos no vencimento do índice futuro, que ocorre na quarta-feira. O Ibovespa encerrou, inclusive, na máxima, aos 118.811,74 pontos (+0,97%). O investidor monitora, contudo, o desenrolar da questão fiscal e da instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, no Senado. No exterior, a sessão foi fraca de noticiário, à medida que o mercado aguarda com ansiedade a divulgação de dados da inflação dos Estados Unidos, medidos pelo índice de preços ao consumidor (CPI). Mediana da pesquisa do Projeções Broadcast aponta avanço de 0,5% na margem na passagem de fevereiro a março, com taxa acumulada em 12 meses de 2,5%. Nos títulos públicos, os retornos avançaram, em dia de leilão abaixo da média para as T-notes de 10 anos, enquanto as bolsas americanas terminaram em quedas modestas, após recordes recentes.

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CÂMBIO

O real começou a semana com o pior desempenho ante o dólar no mercado internacional, considerando uma cesta de 34 moedas mais líquidas. Em meio ao impasse com o Orçamento de 2021, e com o texto de 2022 já para entrar na pauta do Congresso, o noticiário de Brasília teve peso decisivo para a moeda americana bater em R$ 5,74 na máxima do dia, o maior nível alcançado em abril. O Broadcast apurou que o governo estuda uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para ações contra a covid-19 sem ter de acionar o estado de calamidade, abrindo espaço também ao pagamento emendas parlamentares. Com isso, parte dos recursos da saúde ficaria fora do teto e seria bancado com créditos extraordinários.

Em dia de fraco volume de negócios e dólar de lado no exterior, por causa da agenda esvaziada de indicadores hoje, a moeda americana caiu pela manhã, recuando a R$ 5,63, mas passou a subir no início da tarde, puxada pela valorização das taxas de retorno dos juros longos americanos. Em seguida, acelerou a alta com o noticiário interno, batendo na máxima em R$ 5,7423.

No fechamento, o dólar à vista terminou a segunda-feira em alta de 0,84%, a R$ 5,7224. No mercado futuro, o dólar para maio era negociado em R$ 5,7260, com valorização de 0,63% às 17h05. A sessão teve um dos menores volumes de negócios das últimas semanas, abaixo dos US$ 10 bilhões, enquanto investidores aguardam eventos dos próximos dias, que incluem as discussões do orçamento no mercado domésticos e dados de inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) nos EUA, que saem nesta terça-feira (13).

“Mais contabilidade criativa? Brasília não para de querer conspirar contra ao Brasil”, comentou um gestor de multimercados ao falar da proposta de PEC para a covid, que pode tirar parte dos gastos da saúde do teto. “Toda essa discussão acontecendo ainda sem nenhuma definição do Orçamento de 2021”, completou.

Em meio ao imbróglio sobre o Orçamento, o Broadcast publicou que há até uma proposta de Jair Bolsonaro viajar ao exterior, para que o presidente da Câmara, Arthur Lira, possa assinar a peça, sem o presidente correr o risco de ser responsabilizado por crime fiscal.

A economista-chefe do Banco Santander, Ana Paula Vescovi, comentou em live hoje da Genial Investimentos que já era para esse orçamento ter sido aprovado ao final de 2020. Ela lembrou ainda que no próximo dia 15 entra o período em que o Executivo precisa apresentar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2022.

A ex-secretária do Tesouro vê uma “paralisia total” para a aprovação deste Orçamento, em meio a restrições de recursos frente ao teto de gastos.

“Com relação ao orçamento, o impasse continua com os líderes do Congresso e o governo não conseguindo chegar a um acordo sobre como ajustar as despesas obrigatórias a um nível confiável”, observam os economistas para Brasil do JPMorgan, citando ainda para complicar o quadro de incerteza e ruídos políticos a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luis Roberto Barroso sobre instaurar a CPI da Pandemia no Senado.

Nesse ambiente, a desconfiança de investidores estrangeiros com o Brasil aumentou. Um dos termômetros é que as apostas dos especuladores na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CME, na sigla em inglês) contra o real nos contratos futuros da moeda brasileira tiveram nova alta na semana passada, para 26,5 mil contratos vendidos, até o dia 9. É a sexta semana consecutiva de aumento destas apostas, que ganham com o enfraquecimento da moeda brasileira. Elas atingiram o maior nível desde o início de novembro de 2020, segundo dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC).

Outro indicador é a piora do risco Brasil, medido pelo Credit Default Swap (CDS) de 5 anos. O índice era negociado hoje em 221 pontos, e vem se mantendo nesse nível de 220 nos últimos dias, se mantendo nos patamares mais elevados desde outubro do ano passado. (Altamiro Silva Junior – [email protected])

Volta

JUROS

Os juros encerraram perto da estabilidade, tendo quase zerado, na reta final da sessão regular, a queda mostrada desde manhã. O alívio de prêmios se dava em bases frágeis, sem respaldo no noticiário ou do volume de contratos, e não resistiu à informação, apurada pelo Broadcast, de que está em estudo uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para ações contra covid-19 que possa abrir espaço a emendas parlamentares no orçamento. A ideia é vista como mais uma manobra para a acomodar pressões políticas, na medida em que parte do orçamento da saúde ficaria fora do teto de gastos e seria bancado com créditos extraordinários.

Até então, as taxas exibiam baixa moderada, mais acentuada nos vencimentos longos, na contramão das perdas do real, da alta do rendimento dos Treasuries e a despeito da indefinição na questão do Orçamento. A piora das medianas das principais variáveis econômicas na pesquisa Focus também não era empecilho para um alívio, tampouco o conteúdo da conversa do presidente Jair Bolsonaro e do senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO), gravada e revelada por este último, que mostra Bolsonaro propondo a ele ingressar com pedido de abertura de impeachment de ministros do STF para segurar a CPI da Pandemia no Senado.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 encerrou com taxa de 4,72%, de 4,736% na sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2025 ficou estável em 8,28%. A do DI para janeiro de 2027 encerrou em 8,90%, de 8,934% no último ajuste, bem longe da mínima de 8,81%. Este DI movimentou 39 mil contratos, ante média diária de 64.419 contratos nos últimos 30 dias. O DI para janeiro de 2022, normalmente o mais líquido, hoje girou 239.725 contratos, ante média diária de 454.494.

Com uma série de fatores jogando contra os vendidos, a queda nas taxas não tinha uma explicação consistente e foi atribuída pelos profissionais da área de renda fixa a um ajuste ao forte avanço da sexta-feira, que decorreu do impasse fiscal e da decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar a instalação da CPI da Pandemia. Porém, a possibilidade de que governos regionais também fossem investigados, na leitura dos agentes, enfraquece as chances de instalação da CPI no Senado, o que evitaria piora da crise política.

Para o consultor de Investimentos Renan Sujii, como as taxas subiram muito e não há nada concreto ainda sobre o Orçamento, houve uma trégua no estresse, mas longe de representar uma mudança de tendência. “O fiscal continua pesando. Temos a novela sim fim do Orçamento agora misturada com a CPI da Covid e dados de varejo e serviços ao longo da semana”, afirmou.

A economista-chefe do Banco Santander, Ana Paula Vescovi, reforçou hoje que o Brasil passa por um momento fiscal muito delicado e que é preciso, antes da suspensão das regras fiscais, discutir quais são os planos do País para enfrentar a pandemia: se com gastos diretos com a saúde, se transferências para os Estados, se por assistência social ou se por meio de apoio com crédito para as empresa. “A gente está financiando isso tudo com dívida pública e ela está num patamar muito perigoso e ainda temos um processo inflacionário em curso”, disse.

A participação do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de reunião de presidentes de bancos centrais da América Latina, foi apenas monitorada, sem influência nos ativos. Ele defendeu a austeridade e seriedade na gestão da dívida como caminho para evitar uma desorganização maior dos preços e que a combinação de valorização de commodities com depreciação cambial gera uma dinâmica de avanço acelerado da inflação.

Na curva a termo, apesar da sinalização do Banco Central de que vai repetir a alta de 0,75 ponto porcentual da Selic no Copom de maio, a curva segue dando maior probabilidade de uma elevação de 1 ponto, dados os riscos fiscais, escalada da inflação e piora das estimativas. A Focus desta segunda-feira mostrou alta na mediana de IPCA para 2021 de 4,81% para 4,85%, bem acima do centro da meta de 3,75%, e a de 2022 passando de 3,52% para 3,53%, praticamente no centro da meta de inflação do ano que vem, de 3,5%. (Denise Abarca – [email protected])

17:30

Operação   Último

CDB Prefixado 30 dias (%a.a) 2.89

Capital de Giro (%a.a) 6.29

Hot Money (%a.m) 0.64

CDI Over (%a.a) 2.65

Over Selic (%a.a) 2.65

BOLSA

Descolado da sessão moderadamente negativa em Nova York, e neutro a mais um dia de pressão no câmbio, com a moeda americana negociada a R$ 5,7423 na máxima de hoje, o Ibovespa iniciou bem a semana com a aproximação da disputa entre comprados e vendidos no vencimento do índice futuro, na quarta-feira. Assim, as ações de Petrobras e bancos, ainda bem descontadas no ano, estiveram entre as vencedoras em sessão com relativamente poucos catalisadores, aqui e no exterior.

Vindo de perda de 0,54% na sexta-feira, quando Dow Jones e S&P 500 renovavam máximas históricas, o Ibovespa fechou hoje na máxima da sessão, em alta de 0,97%, aos 118.811,74 pontos, elevando os ganhos do mês a 1,87% e limitando as perdas do ano a apenas 0,17%, apesar dos ruídos que continuam a chegar de Brasília, envolvendo agora não apenas o ainda indefinido Orçamento de 2021, mas também a instalação de uma CPI para investigar a atuação do governo durante a pandemia. Leve, o giro financeiro desta segunda-feira ficou em R$ 28,7 bilhões.

Nos EUA, após a renovação de recordes na última sexta-feira, os índices de ações ainda refletem o otimismo sobre a recuperação econômica, amparada por forte ritmo de vacinação, com média acima de 3 milhões por dia na última semana, e por intensos estímulos monetários e fiscais assegurados pelo Federal Reserve e pelo governo Biden. “Nesta segunda, a expectativa é de que houvesse correção natural em Nova York, depois das máximas da semana passada. No exterior, passa a prevalecer a espera pela temporada de resultados na Europa e nos Estados Unidos, a partir de quarta-feira”, observa Thayná Vieira, economista da Toro Investimentos.

Para Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, o ponto atual do Ibovespa, a 118 mil, é “decisivo para o restante do mês e para definir o rumo no curtíssimo prazo”. “Se finalmente conseguir romper esse patamar, a tendência de alta no curto prazo volta a ganhar força e temos como alvo a faixa de 120 mil, topo cravado em fevereiro”. No sentido oposto, “a perda dos 115 mil pontos deixaria o mercado em ‘stand by’ mais uma vez, travado entre 118 e 108 mil pontos, como visto no mês passado”, acrescenta o analista. Nos melhores momentos das últimas cinco sessões, o Ibovespa foi acima dos 118 mil, mas apenas conseguiu sustentar a marca nos fechamentos de hoje e do último dia 8.

Nesta segunda-feira, desde a manhã o índice da B3 permaneceu acima dos 118 mil pontos, saindo de mínima na abertura a 117.660,77 pontos para fechar o dia exatamente no pico da sessão. Os juros futuros e o câmbio, por sua vez, seguiram atordoados pela situação fiscal, percepção agravada pela indicação, por fontes ouvidas pelo Broadcast no meio da tarde, de que PEC para ações contra a covid-19 pode abrir espaço para emendas parlamentares ao Orçamento. “Notícias de que parte do orçamento de saúde pode ficar fora do teto de gastos chegaram a diminuir a alta dos ativos (ações) domésticos”, diz Lucas Collazo, especialista da Rico Investimentos.

No sábado, ao voltar de passeio de moto pelo entorno de Brasília, o presidente Jair Bolsonaro, sem nada dizer, deu partida no motor ao ser questionado, na porta do Palácio da Alvorada, sobre a sanção da peça orçamentária, com prazo final para o dia 22 de abril. Apesar dos alertas da equipe econômica, não se sabe ainda se o presidente fechará com a responsabilidade fiscal ou com a aproximação ao Centrão, para assegurar apoio na Câmara e no Senado.

De acordo com relato da repórter especial Adriana Fernandes, o presidente Bolsonaro está sendo aconselhado a viajar para fora do País e deixar a tarefa de sancionar o Orçamento de 2021 para o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) – em ausência que seria combinada também com o vice, Hamilton Mourão. Segundo o Estadão/Broadcast apurou, essa alternativa foi discutida durante o fim de semana em reuniões do presidente com conselheiros políticos para resolver o impasse em torno da sanção da lei orçamentária. A norma foi aprovada com despesas obrigatórias subestimadas para acomodar o aumento de emendas parlamentares, manobra apontada por especialistas de dentro e fora do governo como maquiagem.

Caso esta solução venha a se confirmar, Bolsonaro estaria fazendo opção clara, no que uma fonte de mercado antecipava, semanas atrás, como a entrega da “chave” do governo ao Centrão, sob o comando de Lira – perdido o cabo-de-guerra, restaria saber qual a reação de Paulo Guedes e do quadro técnico da Economia ante a perda de influência: ficar ou sair.

Apesar da incerteza sobre a política e a economia, a busca por descontos às vésperas do vencimento do índice futuro contribuiu para dar suporte ao Ibovespa neste começo de semana, em desempenho positivo para Petrobras (PN +1,01%, ON +1,02%) e bancos, com ganhos de até 2,48% (Itaú PN) no segmento de maior peso no índice, o qual fechou hoje em conjunto com o Ibovespa nas respectivas máximas do dia. O desempenho positivo de Petrobras na sessão foi favorecido não apenas pelo moderado avanço do Brent nesta segunda-feira, mas também pelo “acordo com o governo sobre os volumes excedentes da cessão onerosa nos campos de Sépia e Atapu”, observa Ribeiro, da Clear.

Na ponta do Ibovespa, destaque para as altas de Pão de Açúcar (+9,79%) e de Braskem (+7,82%), enquanto no lado oposto Eletrobras PNB e Azul mostravam respectivamente perdas de 2,84% e 2,54% no fechamento desta segunda-feira. (Luís Eduardo Leal – [email protected])

17:24

Índice Bovespa   Pontos   Var. %

Último 118811.74 0.97038

Máxima 118811.74 +0.97

Mínima 117660.77 -0.01

Volume (R$ Bilhões) 2.87B

Volume (US$ Bilhões) 5.07B

17:31

Índ. Bovespa Futuro   INDICE BOVESPA   Var. %

Último 118900 0.95093

Máxima 118940 +0.98

Mínima 117725 -0.05

MERCADOS INTERNACIONAIS

As bolsas de Nova York fecharam em baixa, sem muito impulso após recordes recentes. A perda de fôlego do petróleo – que ainda assim subiu – pressionou ações do setor de energia, com recuo também em papéis de serviços de comunicação e tecnologia, mas altas entre os bancos. A perspectiva de retomada econômica nos Estados Unidos continua em foco, com o presidente Joe Biden atuando por estímulos na infraestrutura, mas o tema ainda deve ser alvo de negociações em Washington, o que o próprio Biden diz desejar fazer, enquanto ele também se preocupa com a oferta de chips semicondutores. Entre os Treasuries, os juros mantiveram seus ganhos, após um leilão de T-notes de 10 anos com demanda abaixo da média e depois de o Federal Reserve (Fed) reforçar a promessa de não ter pressa para um aperto monetário, enquanto no câmbio o dólar reduziu perdas à tarde ante rivais, mas ainda mostrou leve baixa. Na pandemia, a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou para o aumento recente de casos e mortes pela doença no mundo e insistiu na necessidade de adoção das medidas já sabidas para conter o vírus, como o uso de máscaras e o distanciamento entre as pessoas, enquanto a vacinação colabora com o quadro, sem poder por ora resolvê-lo sozinha, segundo a entidade.

Após na sexta-feira o S&P 500 e o Dow Jones terem batido recordes históricos de fechamento, o pregão foi modesto hoje em Nova York. O S&P 500 bateu recorde histórico intraday, mas oscilou em geral perto da estabilidade. Continuava a haver certo otimismo com a retomada nos EUA, em meio a promessas do governo Biden de agir para garantir investimentos bilionários em infraestrutura. A porta-voz da Casa Branca disse que o presidente está disposto a dialogar sobre o tema e o próprio Biden reforçou o aceno ao Congresso. Além disso, o governo local atua para garantir o fornecimento de chips semicondutores, após a chinesa Huawei atribuir problemas de escassez na oferta desses componentes a sanções americanas contra Pequim, que teriam gerado compras por cautela entre grandes empresas. Biden disse haver apoio bipartidário para melhorar a oferta desses chips no país, garantindo competitividade frente ao avanço da China.

Nas bolsas, o Dow Jones fechou em baixa de 0,16%, em 33.745,40 pontos, o S&P 500 recuou 0,02%, a 4.127,99 pontos, e o Nasdaq caiu 0,36%, a 13.850,00 pontos. Ações de serviços de comunicação e tecnologia estiveram entre as baixas, com queda também no setor de energia, mas alta entre os bancos.

A perda de fôlego do petróleo durante o dia pressionou papéis do setor, mas a commodity ainda assim subiu. O contrato do WTI para maio fechou em alta de 0,64%, em US$ 59,70 o barril, na Nymex, e o Brent para junho avançou 0,52%, a US$ 63,28 o barril, na ICE. O avanço da vacinação contra covid-19 nos EUA – o país atingiu a média diária de 3 milhões de vacinas distribuídas ao dia na última semana, segundo a força-tarefa da Casa Branca para o combate à pandemia – contribuiu para o otimismo sobre a demanda, embora o quadro do coronavírus na Europa gere certa cautela. No caso da Alemanha, medidas recentes de restrição devem custar 10 bilhões de euros ao mês à economia local, advertiu o Commerzbank em relatório.

Entre os dirigentes do Fed, James Bullard (St. Louis) disse ser cedo para se falar em mudanças na política monetária. Eric Rosengren (Boston) reiterou que os juros devem seguir no nível atual até 2023, além de comentar que não é hora para preocupação com o déficit, “ao menos até nos recuperarmos”. O déficit orçamentário nos EUA chegou a US$ 660 bilhões em março, alta de 454% no ano, com os pagamentos do pacote fiscal, segundo dados oficiais.

Entre os Treasuries, os juros subiram, de olho nos sinais do Fed e também em um leilão de T-notes de 10 anos, na véspera da divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI). O BMO Capital apontou que a demanda na operação ficou abaixo da média recente, mas os retornos mantiveram os ganhos depois do anúncio do Tesouro americano. No fim da tarde em Nova York, o juro da T-note de 2 anos subia a 0,160% e o da T-note de 10 anos avançava a 1,672%.

No câmbio, o dólar chegou a reduzir perdas à tarde ante outras divisas principais, mas ainda assim caiu, sem impulso. Para a Oxford Economics, com os estímulos, o crescimento americano pode se destacar, valorizando a moeda local ao longo deste ano. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de principais, caiu 0,03%, a 92,138 pontos. No horário citado, o dólar recuava a 109,43 ienes, o euro subia a US$ 1,1908, quase estável, e a libra avançava a US$ 1,3745, em meio ao relaxamento de restrições ante a pandemia no Reino Unido. Em coletiva, a OMS alertou para a alta nos casos globais da covid-19 nas últimas semanas e disse que não defende “lockdowns sem fim”, mas medidas combinadas, “adequadas e ágeis” para conter o problema.

Na próxima manhã, há expectativa pelo CPI dos EUA. A mediana dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast é de alta de 0,5% em março ante fevereiro, uma aceleração ante o mês anterior, com os preços de energia puxando para cima o índice cheio, mas ainda com o núcleo dos preços abaixo da meta do Fed (leia mais na nota publicada às 16h16). (Gabriel Bueno da Costa – [email protected])

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