DÓLAR PASSA A SUBIR 10% NO ANO, COM PRESSÃO DE FED E FISCAL

O dólar arrefeceu a alta ao longo da tarde desta segunda-feira, mas não escapou de mais
uma sessão de valorização firme ante o real. A moeda americana à vista subiu a R$
5,3569 (+0,60%) e passou a acumular valorização de 10,37% em 2024. A puxada da divisa
hoje tem relação com as dúvidas nesta antevéspera de decisão do Federal Reserve, em
reunião vista como chave para calibragem de sinais sobre os próximos passos da política
monetária nos Estados Unidos. A incerteza com o resultado eleitoral do Parlamento
Europeu afetou o euro e, por consequência, valorizou o dólar. Internamente, a pressão
vem de incômodo na área fiscal, com foco neste momento nas medidas de compensação
pela extensão da desoneração da folha. A Medida Provisória que restringe o uso de
créditos de PIS/Cofins segue enfrentando forte oposição no Congresso e foi alvo de
conversa hoje entre os presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Senado,
Rodrigo Pacheco. O parlamentar expôs a insatisfação com a MP ao petista e pediu
solução para o impasse. Nos juros futuros, o câmbio limitou a devolução de parte do
estresse da sexta-feira nas taxas de médio e longo prazo. Na ponta curta, contudo, a
cautela antes do IPCA, amanhã cedo, se impôs. Lá fora, o petróleo teve uma sessão de
recuperação das perdas recentes, levando para cima as ações do setor de energia em
Nova York. Aqui, apesar de Petrobras em alta (ON +1,84% e PN +1,52%), o Ibovespa
terminou levemente no vermelho, com peso de parte do setor financeiro e de consumo. O
índice encerrou em 120.759,51 pontos (-0,01%).
•CÂMBIO
•JUROS
•BOLSA
•MERCADOS INTERNACIONAIS
CÂMBIO
O dólar abriu a semana em alta firme no mercado doméstico de câmbio, em dia de
fortalecimento da moeda americana no exterior e avanço das taxas dos Treasuries longos.
Após o resultado expressivo de geração de emprego nos EUA em maio divulgado na sextafeira, 7, investidores adotaram uma postura mais cautelosa à espera dos sinais do Federal
Reserve em sua decisão de política monetária na quarta-feira, 12. Por aqui, as
preocupações com a política fiscal seguem no radar e contribuem para a busca de
posições cambiais defensivas.
Na primeira hora de negócios, o dólar até experimentou uma queda momentânea,
quando registrou a mínima da sessão, a R$ 5,3155. Em terreno positivo no restante do dia
e com máxima a R$ 5,3891 pela manhã, a moeda encerrou o pregão em alta de 0,60%,
cotada a R$ 5,3569 – ainda no maior valor de fechamento desde 5 de janeiro de 2023. Nos
seis primeiros pregões de junho, o dólar avança 2,02%, passando a acumular valorização
de dois dígitos em 2024 (10,37%).
No exterior, o índice DXY – termômetro do comportamento da moeda americana em
relação a uma cesta de seis divisas fortes – voltou a superar os 105,000 pontos, com
máxima aos 105,385 pontos. O euro caiu mais de 0,30%, após o avanço da extrema
direita nas eleições para o Parlamento Europeu.
O dólar subiu na comparação com divisas emergentes. Entre as latino-americanas,
destaque para a leve recuperação do peso mexicano, que ainda apresenta, contudo,
perdas de mais de 7% em relação ao dólar.
O economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, observa que o dólar ganhou
força extra no exterior na sexta-feira e hoje após a divulgação de geração forte de
empregos nos EUA em maio, que sugerem pouco espaço para o Federal Reserve reduzir
juros neste ano. Monitoramento do CME Group mostra que as apostas majoritárias para
corte inicial de juros pelo BC americano se deslocaram hoje de setembro para novembro,
com chances de mais de 60%.
Não há dúvida de que o BC americano vai anunciar na quarta-feira manutenção da taxa
básica na faixa entre 5,25% e 5,50%. As atenções se voltam à projeção de dirigentes do
Fed para inflação e juros, no chamado gráfico de pontos, e à entrevista coletiva do
chairman Jerome Powell. Em março, na última vez em que projeções foram divulgadas, a
maioria dos dirigentes do Fed esperava três cortes de juros em 25 pontos-base neste ano.
Velloni ressalta que houve hoje também uma deterioração adicional do euro hoje com o
temor de avanço da ultradireita na Europa, levando o presidente da França, Emmanuel
Macron, a convocar no fim de semana eleições antecipadas para o legislativo francês.
“Além do exterior, com menor possibilidade de corte de juros menor nos EUA e a questão
na Europa, o real ainda é pressionado basicamente pelo problema fiscal doméstico. Cada
vez fica mais claro que há a estratégia de aumentar a arrecadação, sem corte de gastos,
não vai funcionar”, afirma Velloni, que vê também uma corrosão do capital político do
governo no Congresso.
Na sexta-feira, houve estresse no mercado com vazamento de conversas de reunião
fechada entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com expoentes do mercado
financeiro. Na ocasião, Haddad disse que haveria contingenciamento em caso de
aumento das despesas além do esperado. Ele teria revelado também que levaria a
questão da indexação do Orçamento, que torna difícil o cumprimento das metas fiscais,
ao presidente Lula, a quem caberia a última palavra sobre o tema.
Pulularam leituras e interpretações de frases de Haddad, como sinalização de avanço
expressivos das despesas, admissão implícita de que o arcabouço seria inviável sem
desindexação orçamentária e até de enfraquecimento político do ministro. O próprio
Haddad na sexta-feira tentou esclarecer que deu apenas uma reposta óbvia ao falar da
possibilidade de contingenciamento.
“O mercado já vinha com um sentimento de aversão ao risco e teve um episódio de
pânico na sexta-feira com o vazamento do Haddad”, afirma que o head de banking e
câmbio da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, que vê uma onda compradora de dólar
capaz de levar a taxa de câmbio para o nível de R$ 5,50 no curto prazo. “Parece cada vez
mais difícil o Fed cortar juros neste ano, o que deixa o dólar forte no mundo, e no Brasil só
aumenta a descrença em torno da meta fiscal”.
17:37
Dólar (spot e futuro) Último Var. % Máxima Mínima
Dólar Comercial (AE) 5.35690 0.6047 5.38910 5.31550
Dólar Comercial (BM&F) 5.5866 0
DOLAR COMERCIAL 5363.000 -0.0373 5399.000 5325.500
DOLAR COMERCIAL FUTURO 5408.500 2.3368 5408.500 5408.500
JUROS
O mercado de juros operou de maneira mais cautelosa à tarde, influenciado pela
expectativa em relação ao IPCA de maio que sai amanhã e por apostas mais
conservadoras para juros nos EUA, que acabaram por tirar um pouco da força de correção
em baixa que pautava as taxas desde a abertura. Os juros curtos subiram e os demais
recuaram. A desinclinação da curva se deu mesmo em meio à nova alta do dólar e dos
rendimentos dos Treasuries longos.
Às 17h16, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 estava
em 10,655%, de 10,626% e 10,605% no ajuste e no fechamento de sexta-feira, e a do DI
para janeiro de 2026, em 11,28%, de 11,31% e 11,22% no último ajuste e fechamento. O
DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 11,59% (de 11,69% no ajuste e 11,60% no
fechamento) e a do DI para janeiro de 2029, taxa de 11,93%, de 12,06% e 11,96% no
ajuste e fechamento anteriores.
As disparada das taxas na sexta-feira deixou espaço grande para ajuste, mas a devolução
de prêmios foi modesta – as longas chegaram a abrir mais de 40 pontos-base na sessão
anterior. Até porque, segundo profissionais da renda fixa, a correção de excessos já teria
começado no fim da tarde de sexta, depois que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad,
reclamou do vazamento de “informações falsas” após uma reunião com representantes
do mercado, segundo as quais os limites do arcabouço fiscal poderiam ser mudados. Ele
garantiu que, no encontro, ao contrário, havia dito que está disposto a contingenciar
gastos. Depois dos esclarecimentos, as taxas já conseguiram encerrar a sexta-feira longe
das máximas do dia.
De todo modo a ponta longa ainda preserva prêmio elevado, atribuído aos cenário externo
e fiscal. “Mesmo buscando desmentir o ocorrido, é inegável que o ministro abriu novo
flanco para a desconfiança do mercado acerca da viabilidade do novo arcabouço e, por
consequência, da saúde das contas públicas do País”, afirmam os economistas da
Levante.
Pelo lado das receitas, o governo tem mostrado disposição em dialogar sobre a MP do
PIS/Cofins, que será utilizada para compensação às perdas geradas pela desoneração da
folha de pagamentos. A MP foi rechaçada pelo setor produtivo. “A partir de hoje, o governo
intensificará negociações para construir melhor proposta de compensação”, disse o
ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.
O alívio dos longos se deu ainda na contramão dólar, que deu sequência ao avanço da
sexta-feira, atingindo hoje os R$ 5,35, e da alta da T-Note de dez anos, com taxa nos
4,45% no fim da tarde, afetada pelos receios com a reunião do Fed e o dado de inflação
de maio, na quarta-feira, quando serão ainda divulgados o gráfico de pontos das
projeções do Fed. Na segunda etapa, o cenário para as apostas de juros norteamericanos mostrava adiamento dos cortes para novembro pela ferramenta do CME
Group.
Na ponta curta, Marcos Moreira, sócio da WMS Capital, viu a pressão relacionada à
percepção de que não há mais espaço para queda da Selic, endossada hoje pela piora
das projeções de IPCA na pesquisa Focus, por sua vez alimentada pelo “descompasso
entre as políticas fiscal e monetária”, na sua avaliação. “Campos Neto citou o hoje a
preocupação com a capacidade de harmonizá-las como o principal risco percebido no
País no curto prazo”, afirmou Moreira, que prevê Selic estável em 10,50% no Copom de
junho.
A mediana de inflação para 2024 no Focus subiu de 3,88% para 3,90% e para 2025, de
3,77% para 3,78%. A mediana de IPCA para 2026 se manteve em 3,60%. O aumento da
desancoragem para 2025 se deu mesmo com a elevação da mediana de Selic, de 9,18%
para 9,25%. A projeção para 2024 permaneceu em 10,25%.
Os números ruins da Focus foram resgatados na etapa vespertina para justificar uma
postura defensiva antes do IPCA amanhã. “Algum impacto das enchentes no Rio Grande
do Sul já deve aparecer”, explica Moreira. A mediana das estimativas coletadas pela
pesquisa do Projeções Broadcast aponta taxa de 0,40% em maio, ante 0,38% em abril,
com leitura majoritariamente negativa dos preços de abertura
BOLSA
Após ter marcado na sexta-feira perda de 1,73% com os ruídos fiscais domésticos e a
leitura forte sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos em maio, o Ibovespa iniciou
a semana em luta para retomar a linha dos 121 mil pontos, mas perdeu a pouca força
mostrada mais cedo, do meio para o fim da tarde.
Assim, vindo de sua maior retração diária desde 21 de setembro, a referência da B3
oscilou hoje dos 120.540,03 aos 121.421,30 pontos, encerrando a segunda-feira
praticamente estável, em baixa de 0,01%, aos 120.759,51 pontos – uma perda de 7,68
pontos frente ao encerramento da sexta-feira. O giro ficou bem acomodado na sessão de
hoje, a R$ 16,5 bilhões. No mês, o Ibovespa ainda acumula perda de 1,10% e, no ano, de
10,01%, na casa de dois dígitos desde a sessão anterior.
Nesta abertura de semana, o Ibovespa foi conduzido essencialmente pelo bom
desempenho de Petrobras (ON +1,84%, PN +1,52%), alinhado aos ganhos do petróleo em
Londres (Brent) e Nova York (WTI). Circula entre operadores do mercado de petróleo a
informação de que a Rússia teria feito o maior corte na produção da commodity em um
ano, embora ainda mantenha oferta acima da meta. Em direção ao fechamento, porém,
as ações da estatal mostraram ganho mais comportados, tendo chegado a orbitar a casa
de 2,5%, mais cedo.
Por sua vez, Vale ON, a ação de maior peso no Ibovespa, também deu boa contribuição ao
índice da B3 nesta segunda-feira, em alta de 1,09% no fechamento, sem a referência do
minério de ferro na China, em razão de feriado. Em Cingapura, contudo, o minério para
julho de 2024 caiu 3,06%, a US$ 105,40 por tonelada.
Na ponta do índice da B3, destaque nesta segunda-feira para São Martinho (+6,19%),
Vibra (+2,40%), Prio (+2,20%) e Suzano (+2,14%). No canto oposto, Soma (-4,67%), Arezzo
(-4,14%), Vivara (-3,59%) e BTG (-3,30%).
Entre o sinal favorável das grandes ações de commodities, e o negativo de parte das
grandes instituições financeiras, o que prevaleceu foi o do segmento de maior peso no
Ibovespa, o financeiro, com destaque para o recuo de 0,79% para Itaú PN e de 1,03% em
Santander Unit, considerando os maiores bancos. Exceção para leves ganhos em BB (ON
+0,11%) e Bradesco ON (+0,09%).
“O mercado ainda digeriu hoje tanto a fala ‘vazada’ do Haddad [em reunião na própria
sexta-feira do ministro da Fazenda com integrantes do mercado, em São Paulo] como o
payroll de maio, nos Estados Unidos. No início do dia, ainda mostravam picada forte o
dólar e os juros futuros, com a Bolsa em baixa. Depois, veio certo alívio ao longo da
sessão de hoje, especialmente depois das 15h, com os resultados da balança comercial
na primeira semana de junho, em superávit, e as tratativas sobre a MP do PIS/Cofins,
entre Lula, Pacheco e Haddad”, diz Diego Faust, operador de renda variável da
Manchester Investimentos.
No fechamento da última sexta-feira, observa o operador, o DI para janeiro de 2031 ficou
acima de 12%, algo não visto desde maio de 2023. “Mesmo na crise de setembro, outubro
do ano passado, em torno dos rendimentos dos Treasuries, não se via o DI nesse patamar.
Campos Neto, o presidente do BC, tem falado muito também na desancoragem das
expectativas de inflação. E o DI nesse nível expressa exatamente isso”, acrescenta Faust,
que chama atenção tanto para o aumento das expectativas de inflação de 2025 e 2026 no
boletim Focus, como para dados, nos EUA, que sustentam a incerteza sobre o nível dos
juros americanos ao fim de 2024 – e, no plano doméstico, as dúvidas sobre a condução da
política fiscal.
Na agenda externa, “esta semana será crucial nos EUA, com a divulgação do relatório do
CPI [inflação ao consumidor em maio] e a decisão de política monetária do Federal
Reserve, ambas na quarta-feira. Previsões indicam que a taxa anual de inflação
permanecerá em 3,4%, enquanto o núcleo [sem itens considerados voláteis, como
alimentos e energia] pode diminuir ligeiramente, para 3,5%, um novo mínimo de três
anos”, observa em nota a Guide Investimentos.
“Acreditamos que o Fed queira cortar os juros este ano, mas uma redução é improvável
antes de setembro, no mínimo”, avalia em nota John Kerschner, gerente de portfólio na
Janus Henderson Investors. “E quando o fizerem, é improvável que isso inicie um ciclo
consistente, de 25 pontos-base por reunião”, acrescenta o gestor, observando que, de
início, o ritmo de ajuste na taxa de juros do Fed tende a ser “infrequente”, definido a cada
reunião. “Não importa particularmente se eles começarão em setembro ou em novembro,
o que importa é o ritmo a partir daí.”
Por outro lado, em contexto mais desafiador para o Brasil, a Monte Bravo reduziu
expectativa para o Ibovespa ao final deste ano, de 155 mil para 150 mil pontos, em meio à
postergação do início do corte de juros americanos e a ruídos fiscais que elevaram a
percepção de risco sobre os ativos domésticos. Além disso, a corretora aumentou a
projeção para a Selic ao fim de 2024, de 10% para 10,50% ao ano. Este nível deve
permanecer até o início de 2025, quando, no cenário-base, a casa entende que haveria
espaço para ajuste adicional da taxa rumo a 9,50%, em meados daquele ano.
Ao mesmo tempo, a expectativa da taxa de câmbio passou de R$ 4,90 para R$ 5,00 em

  1. Em relatório, a Monte Bravo explica que a modificação se deve ao aumento do
    prêmio de risco com as alterações das metas fiscais e por conta da maior aversão a risco
    com relação a ativos no Brasil, na renda fixa como também na variável.
    17:34
    Índice Bovespa Pontos Var. %
    Último 120759.51 -0.0064
    Máxima 121421.30 +0.54
    Mínima 120540.03 -0.19
    Volume (R$ Bilhões) 1.64B
    Volume (US$ Bilhões) 3.06B
    17:37
    Índ. Bovespa Futuro INDICE BOVESPA Var. %
    Último 120960 0.3193
    Máxima 121495 +0.76
    Mínima 120515 -0.05
    MERCADOS INTERNACIONAIS
    O petróleo acelerou alta durante a tarde e fechou próximo das máximas do dia, puxando
    para cima as ações de energia, que registraram a segunda maior alta no S&P 500 e
    sustentaram o índice em nova máxima histórica, junto do Nasdaq, apesar do tombo da
    Apple, que caiu após um anúncio frustrante de novos produtos. No câmbio, o avanço da
    extrema-direita nas eleições ao Parlamento Europeu enfraqueceu o euro contra o dólar, e
    as notícias sobre a política no bloco econômico ecoaram também nos rendimentos dos
    Treasuries, com a ponta curta em alta em “um movimento de simpatia”, como afirma o
    BMO. Agora, os olhos se voltam para quarta-feira, quando será divulgada a inflação ao
    consumidor americano em maio e, mais tarde, a próxima decisão de juros do Federal
    Reserve (Fed), com projeções atualizadas. Os dados são esperados para dar maior
    clareza sobre os rumos da política monetária nos EUA, enquanto a ferramenta do CME
    Group oscila suas apostas para primeiro corte entre setembro e novembro.
    A alta de mais de 2,5% de petróleo – ampliada na reta final do pregão – se transmitiu às
    bolsas de Nova York e elevou o S&P 500 a novo recorde histórico. Hoje, o barril do Brent
    voltou ao patamar dos US$ 80, em compensação após as perdas de semana passada, e
    também já de olho na agenda semanal, que terá relatórios mensais da Organização dos
    Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da Agência Internacional de Energia (AIE).
    O Nasdaq acompanhou o par, com a melhora das empresas de chips – Micron subiu
    2,96% e Broadcom teve alta de 2,41%. O índice se sustentou no azul apesar da queda de
    1,91% da Apple, após o CEO da companhia, Tim Cook, apresentar a inteligência artificial
    da companhia. Os ganhos das bolsas também acompanharam a melhora do
    desempenho do setor de saúde, que no S&P 500 fechou com ganhos marginais de 0,11%,
    mas que chegou a cair 0,30% ainda durante a tarde. Hoje, os American Depositary
    Receipts (ADRs) da Novo Nordisk fecharam em recorde histórico, com alta de 0,52%, a
    US$ 143,63, após a farmacêutica dar início a seu programa de recompra de ações.
    No fechamento de Nova York, o Dow Jones teve alta de 0,18%, aos 38.868,04 pontos; o
    S&P 500 subiu 0,26%, aos 5.360,79 pontos; e o Nasdaq subiu 0,35%, aos 17.192,53
    pontos. Entre commodities, o WTI para julho fechou em alta de 2,93% (US$ 2,21), a US$
    77,74 o barril, na Nymex, e o Brent para agosto subiu 2,52% (US$ 2,01), a US$ 81,63 o
    barril, na ICE.
    Investidores também seguem monitorando os avanços da política monetária americana,
    já de olho na decisão de juros de quarta-feira, que deve manter juros inalterados.
    Enquanto aguardam, Wall Street se mantém em cima do muro sobre quando a
    flexibilização monetária começará na maior economia do mundo. Pela tarde, a
    ferramenta do CME Group passou a indicar novembro como a data para o primeiro corte,
    mas a reunião de setembro ainda é uma incógnita: a chance de corte estava em 49%,
    contra 51% para manutenção.
    A leitura da inflação ao consumidor (CPI) de maio, que sai quarta-feira pela manhã,
    também deve dar um norte aos investidores. Segundo o Citi, o dado deve indicar uma
    desaceleração gradual, com o nível da frenagem a depender do custo de serviços em
    transportes, visto que os preços de bens em geral devem permanecer na mesma faixa nos
    próximos meses.
    Somado à espera pelos dados, hoje investidores também reagiram aos resultados das
    eleições ao Parlamento Europeu. O avanço da extrema-direita pesou sobre os preços dos
    títulos públicos europeus e puxou os rendimentos para cima. Segundo o BMO Capital
    Markets, o mesmo movimento pôde ser visto do lado de cá do Atlântico, com os juros dos
    Treasuries subindo “em simpatia”. “É pouco provável que a política europeia tenha um
    impacto prolongado nas taxas dos EUA, embora os desdobramentos do fim de semana
    tenham sido [relevante aos negócios], dada a ausência de qualquer outra coisa antes dos
    fundamentos do meio da semana”, afirma o BMO. No fim da tarde em Nova York, o retorno
    da T-note de 2 anos caía a 4,881%, o da T-note de 10 anos avançava a 4,465% e o do Tbond de 30 anos aumentava a 4,591%.
    As incertezas sobre a política na União Europeia pesaram sobre o euro hoje, enquanto o
    compasso de espera pelos drivers do meio da semana mantiveram o dólar em alta. Na
    América Latina, o peso mexicano atingiu o valor mais baixo em um ano durante a mínima
    intraday, mas reverteu sinal ao longo do dia, com o dólar caindo a 18,3160 pesos
    mexicanos perto das 17h (de Brasília). O mercado se preocupa com a possibilidade de
    uma reforma constitucional ser aprovada no país, agora que a presidente eleita do
    México, Cláudia Sheinbaum, ampliou apoio interno.
    Já na Argentina, um Senado cada vez mais dividido no país ameaça a aprovação do
    pacote econômico do presidente Javier Milei, conforme relatos na mídia local. No mesmo
    horário, o dólar ainda avançava a 901,8472 pesos argentinos. Enquanto isso, o dólar subia
    a 157,04 ienes, o euro recuava a US$ 1,0766 e a libra tinha alta a US$ 1,2731. O índice
    DXY, que mede o dólar ante uma cesta de moedas fortes, registrou alta de 0,25%, a
    105,150 pontos.