ATIVOS LOCAIS TÊM DIA MISTO, MAS RISCO-BRASIL GARANTE TRIMESTRE DE DETERIORAÇÃO

O dia foi marcado por comportamentos dissonantes entre os diferentes ativos, num pregão de ajustes técnicos diante do fechamento do trimestre. Como no Brasil as preocupações continuam as mesmas, concentradas na incerteza fiscal, o Ibovespa ignorou os recordes intraday em Wall Street e os juros futuros ficaram perto da estabilidade, a despeito da queda firme do dólar. O desenho nestes primeiros três meses de 2021, no entanto, é desfavorável ao Brasil em praticamente todos os mercados, numa soma de fatores que despertam a aversão dos investidores: deterioração das contas públicas, ruídos políticos e piora da pandemia em meio ao ritmo lento de vacinação. Não por acaso, o real tem uma das piores performances entre as moedas emergentes no acumulado do ano até aqui, à frente apenas da lira turca, que teve forte deterioração recente com a troca de comando do banco central do país; a Bolsa brasileira registrou perdas de 2% no trimestre, enquanto as pares americanas tiveram altas generalizadas; e a curva de juros doméstica ganhou inclinação, mesmo após o Banco Central iniciar um aperto monetário mais firme do que o esperado e sinalizar que continuará nessa toada em meio à alta da inflação e desconfiança com a política fiscal. Hoje, especificamente, o grande destaque do dia foi o real, que teve a melhor performance dentro de uma cesta de 34 moedas, com os investidores ajustando posições defensivas dentro de suas carteiras. Assim, o dólar cedeu 2,31%, a R$ 5,6286 no mercado à vista. No mês, acumulou pequena valorização de 0,41%, totalizando 8,48% de janeiro a março. O Ibovespa passou por uma correção após quatro pregões de valorização e terminou com pequeno recuo de 0,18%, aos 116.633,72 pontos, o que não impediu um mês de ganhos robustos de 6% que suavizaram a baixa no ano. Em Nova York, os principais índices terminaram sem direção única, com o Dow Jones em leve baixa, mas S&P 500 e Nasdaq no positivo, enquanto os investidores aguardam pelo anúncio do pacote trilionário de investimentos em infraestrutura nos Estados Unidos, logo mais. Ao mesmo tempo, contudo, os yields dos Tresuries voltaram a subir, diante dos efeitos que mais estímulos podem ter sobre a inflação. Esse fator entrou na conta, junto com todos os locais, para manter os juros futuros pressionados em grande parte do dia. Houve também frustração com o nível de ajuste proposto para o Orçamento de 2021 pelo relator Márcio Bittar (MDB-AC) e cautela pela informação de que foi identificada em São Paulo uma nova variante do coronavírus, semelhante à sul-africana.

BOLSA

Em sentido contrário ao de Nova York na sessão, o Ibovespa interrompeu série de quatro ganhos diários, mas conseguiu sustentar a linha de 116 mil no fechamento desta quarta-feira, acumulando alta de 6,00% em março, que limitou as perdas do índice neste primeiro trimestre a 2,00%. Hoje, fechou em leve baixa de 0,18%, aos 116.633,72 pontos, entre mínima de 115.932,42 pontos e máxima de 117.248,51 pontos, com giro financeiro a R$ 32,1 bilhões na sessão. Na semana, o Ibovespa acumula ganho de 1,61% até o fechamento desta quarta-feira.

O desempenho das ações de bancos (Bradesco PN -2,16%, Itaú PN -1,93%) segurou o Ibovespa, em dia positivo para as ações de commodities (Petrobras ON +1,53%, Vale ON +0,93%), de siderurgia (CSN +2,79%, Gerdau PN +2,58%) e utilities (Eletrobras ON +3,38%). Na ponta do Ibovespa, Equatorial (+8,39%), à frente de CCR (+6,34%) e Cielo (+3,91%). No lado oposto, Yduqs (-4,74%), Gol (-3,67%) e Lojas Renner (-3,03%).

Preocupações em torno do Orçamento de 2021 impediram que o Ibovespa usufruísse da queda acentuada do dólar à vista (-2,31%, a R$ 5,6286), em sessão na qual a atenção global esteve voltada ao anúncio de pacote de até US$ 3 trilhões para a infraestrutura nos Estados Unidos, que tende a reforçar o ‘trade off’ entre crescimento e inflação na maior economia do mundo, em ambiente de adição de estímulos fiscais e de política monetária ainda bem afrouxada. Assim, emerge também a expectativa por aumento de impostos para ajudar a financiar a nova rodada de estímulos, ante o avanço do endividamento público nos EUA. A proposta do presidente Joe Biden para a infraestrutura deve ser anunciada ainda nesta quarta-feira.

Aqui, com taxa de desemprego a 14,2% no intervalo de três meses até janeiro, maior nível para o período na série histórica, e agora com recorde de desalentados, a pressão sobre o fiscal, às vésperas do reinício, na próxima semana, da distribuição do auxílio emergencial, permanece sob o foco do mercado. Assim, em paralelo a um grau maior de pressão sobre a curva de juros, o Ibovespa chegou a perder a linha de 116 mil pontos ainda no começo da tarde, quando foi sinalizado que o relator do Orçamento, senador Márcio Bittar (MDB-AC), estaria disposto a cortar apenas R$ 10 bilhões em emendas parlamentares, bem abaixo do considerado essencial para restabelecer equilíbrio à peça encaminhada hoje para sanção do presidente Jair Bolsonaro – sem indicação até o momento de que haverá vetos, apesar da contrariedade da equipe econômica ao texto aprovado.

A queda de braço entre demanda política e responsabilidade fiscal ganha novo ingrediente, com o Centrão agora alojado no Palácio do Planalto, com a deputada Flávia Arruda (PL-DF) na Secretaria de Governo, responsável pela articulação entre Executivo e Legislativo. Para complicar o cenário, a força-tarefa contra a covid no Estado de São Paulo informou ter identificado nova variante do coronavírus em Sorocaba. O material genético do vírus foi analisado e, embora seja semelhante à variante sul-africana, não foi descartada a chance de ser uma nova cepa. “Também existe a possibilidade de que seja já uma evolução da nossa P1 em direção a essa nova mutação da África do Sul”, disse o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

“Ajudaria se o comitê nacional, com presença dos presidentes da Câmara e do Senado, vier a recomendar participação mais ativa da iniciativa privada no combate à pandemia. O próprio ministro Paulo Guedes tem destacado a importância de ritmo maior para vacinação, em contraponto ao fiscal”, diz Rodrigo Friedrich, head de renda variável da Renova Invest. “A exemplo do que tem se observado nos países desenvolvidos, a vacinação em massa resulta em declínio do número de casos e em retomada da economia. O coronavírus continua no nosso dia a dia e, enquanto permanecer assim, será preciso cautela e seletividade (nos investimentos)”, diz Bruno Moura, sócio e líder de operações da mesa de renda variável da BlueTrade.

Moura chama atenção, contudo, para melhora de sentimento em relação a fevereiro, desde que o Copom surpreendeu com aumento acima do esperado para a Selic, a 2,75% ao ano, na reunião encerrada em 17 de março, o que contribuiu para que o Ibovespa se firmasse desde então na faixa de 114 mil a 116 mil pontos, ante o sinal firme de que a autoridade monetária não será condescendente com a inflação.

No fechamento de 2020, o índice da B3 em dólar ficou em 22.937,77, com a moeda à vista em baixa de 2,95% no mês, e o Ibovespa dolarizado vindo de 20.368,35 pontos no encerramento de novembro. No fim de janeiro, foi a 21.018,82, correspondendo à perda de 3,32% no índice e a avanço de 5,51% no dólar, e no encerramento de fevereiro, com a moeda americana em alta de 2,39% e o índice de ações em baixa de 4,37% no mês, foi a 19.629,85 pontos. Agora, no encerramento de março, retornou a 20.721,62, com o dólar em alta de 0,41% e o Ibovespa, de 6,00%, no mês. (Luís Eduardo Leal – [email protected])

17:25

Índice Bovespa   Pontos   Var. %

Último 116633.72 -0.18481

Máxima 117248.51 +0.34

Mínima 115932.42 -0.78

Volume (R$ Bilhões) 3.21B

Volume (US$ Bilhões) 5.63B

17:37

Índ. Bovespa Futuro   INDICE BOVESPA   Var. %

Último 116605 -0.33761

Máxima 117350 +0.30

Mínima 115915 -0.93

CÂMBIO

Muito embora em queda forte hoje, que se acentuou na parte da tarde, o dólar encerra o mês de março praticamente no zero a zero, avanço de 0,41%. Entretanto, no primeiro trimestre a evolução foi de 8,48%, começando o ano no segmento à vista cotado a R$ 5,2681 para fechar hoje a R$ 5,6286 (-2,31%). No meio deste caminho encontrou o pico na casa dos R$ 5,80 no intraday.

O movimento na sessão de negócios desta quarta-feira esteve bastante alinhado com o de divisas de pares emergentes que ganharam força ante a moeda americana, ainda que os juros dos títulos do governo americano apontassem alta – o rendimento dos treasuries com vencimento em dez anos chegou a 1,74590%. O real foi o que mais se valorizou na comparação com uma cesta de 34 moedas.

Para especialistas em câmbio, também houve certo alívio nas tensões políticas, a despeito do troca-troca ministerial, mas com a percepção de que o Congresso ganha força sobre o governo e a condução da crise sanitária.

Segundo Fernanda Consorte, economista-chefe da Ouroinvest, embora tenha havido uma escalada nas últimas semanas, algumas derrotas do governo para o Congresso, que cresceu com isso, podem ter dado algum fôlego aos agentes do mercado e isso é espelhado na taxa de câmbio.

“Mas, ainda que recuando, o nível dos R$ 5,60 é muito alto e aponta para a conjuntura ruim que vivemos no país”, ressalta.

Segundo ela, o risco embutido na taxa de câmbio atual está mais voltado para questões domésticas, como a demora no processo de vacinação dentro da crise sanitária, as perspectivas de um Produto Interno Bruto (PIB) negativo nestes primeiros três meses do ano, além das questões políticas.

O Credit Default Swap (CDS) de 5 anos do Brasil, termômetro do risco-País, recuou a 224.75 pontos nesta tarde após chegar a 231.82 pontos na véspera, de acordo com cotações da IHS Markit.

Em Nova York, houve otimismo, inclusive, com as bolsas de Nova York ganhando fôlego adicional, à espera do anúncio, pelo presidente americano, Joe Biden, de seu pacote de fomento à infraestrutura, em pronunciamento marcado para o final da tarde de hoje. Entre os ativos correlacionados, os contratos futuros de cobre fecharam em alta com o recuo do dólar ante rivais impulsionando a busca pelo metal.

Para Edward Moya, analista de mercado financeiro da Oanda, em Nova York, o dólar cedeu depois que os dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostraram que as reservas globais do quarto trimestre caíram para 59,02%, menor nível desde 1995. “Parece que os mercados de câmbio estão fadados a ver uma tendência de dólar mais fraco”, disse.

Ele lembra que a economia dos Estados Unidos já viu quase US $ 5 trilhões injetados, muito mais do que US $ 830 bilhões durante a Grande Recessão, e o governo Biden está perto de entregar seu segundo pacote de vários trilhões de dólares.

Por aqui, pela manhã, em um movimento técnico, o dólar chegou a escalar à marca dos R$ 5,77, mas firmou tendência de baixa em meio à briga pela definição da Ptax referencial do fim de março e do primeiro trimestre entre investidores vendidos e comprados em contratos cambiais.

Para Consorte, olhando para frente, um ponto de convergência nessa conjuntura ruim seria a aceleração no processo de vacinação. Ela lembrou que, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que, em abril, o país já poderá estar imunizando 1 milhão de pessoas por dia. “Podemos chegar a níveis melhores na taxa de câmbio, se a vacinação acelerar”.

Na tarde de hoje a Câmara aprovou projeto de lei que destrava recursos para Estados e municípios no enfrentamento à pandemia, que estende até o final do exercício financeiro de 2021 a autorização para que os Estados possam transpor e transferir saldos financeiros remanescentes de exercícios anteriores constantes dos seus respectivos fundos de saúde quando os valores forem originados de repasses do Ministério da Saúde. (Simone Cavalcanti – [email protected])

17:37

Dólar (spot e futuro)   Último   Var. %   Máxima   Mínima

Dólar Comercial (AE) 5.62860 -2.3135 5.77050 5.62260

Dólar Comercial (BM&F) 5.5866 0

DOLAR COMERCIAL 5697.000 -1.35919 5770.500 5695.000

DOLAR COMERCIAL FUTURO 5635.500 -2.60111 5777.500 5631.000

JUROS

Os juros futuros fecharam a quarta-feira perto da estabilidade, após uma manhã de queda e uma tarde em alta. Passaram a subir no começo da segunda etapa, pressionados pela frustração do mercado com o nível de ajuste proposto para o Orçamento de 2021 pelo relator Márcio Bittar (MDB-AC), pela virada para cima dos juros da T-Note de dez anos e, ainda, pela informação de que foi identificada em São Paulo uma nova variante do coronavírus, semelhante à sul-africana. Num mercado de pouca liquidez e na véspera de leilão de títulos do Tesouro, tais fatores encontraram terreno fértil para recomposição de prêmios. Porém, na última hora da sessão regular o avanço perdeu fôlego na medida em que o dólar passou a renovar mínimas abaixo de R$ 5,63.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou em 4,595%, de 4,666% ontem, e a do DI para janeiro de 2025 fechou em 8,06%, de 8,076%. O DI para janeiro de 2027 terminou com taxa de 8,70%, de 8,694%.

A curva encerrou março e o primeiro trimestre com nível de inclinação elevado, semelhante ao fechamento de fevereiro. Na comparação entre os DIs de janeiro de 2022 e janeiro de 2027, o diferencial ficou hoje em 410 pontos-base, de 409 pontos no fim do mês passado. A tendência de alta das taxas longas prevaleceu durante todo o período, refletindo, essencialmente, as preocupações com o cenário fiscal e, num grau abaixo, o contágio do movimento dos Treasuries que se agravou nas últimas semanas.

Hoje, a expectativa de que a peça orçamentária fosse corrigida para abarcar valores realistas das despesas obrigatórias, que haviam sido subestimadas para acomodar dezenas de bilhões em emendas na versão aprovada pelo Congresso, ajudava a acomodar as taxas em queda pela manhã, além do câmbio bem comportado e do recuo do retorno dos Treasuries. À tarde, o quadro mudou e as taxas locais passaram a subir.

“O dia era positivo para as moedas emergentes, o que ajudava a performance da curva de manhã, mas veio a proposta de correção do Orçamento insuficiente e o mercado reagiu mal”, disse o gestor de renda fixa da Sicredi Asset, Cássio Andrade Xavier. O mercado começou a piorar com a informação de que o relator Márcio Bittar (MDB-AC) aceitou cancelar R$ 10 bilhões em emendas parlamentares, valor bem abaixo do necessário para recompor as despesas obrigatórias. A Consultoria da Câmara calcula insuficiência de R$ 32,7 bilhões nesta rubrica.

O consultor de Investimentos Renan Sujji alerta para eventuais consequências da tensão entre Congresso e equipe econômica na questão do Orçamento. “Temos visto baixas na equipe quando surgem essas ‘bolas divididas’. Vamos esperar como se resolve a questão até o fim do dia, mas mesmo que tudo fique bem não há como negar que o fiscal é algo que tem sempre sido jogado para o fim da fila, levado até o limite”, disse.

Além do Orçamento, a nova variante do coronavírus, identificada em Sorocaba, interior de São Paulo, também pode representar uma nova pressão sobre as contas públicas. A variante é semelhante à sul-africana, mas não foi descartada a chance de ser uma nova cepa. “Quanto mais tempo se demorar para vacinar em massa, maior a chance de surgimento das novas cepas, que podem não ser cobertas pelas vacinas que estão no mercado”, salientou Sujii. Esse risco pode retardar a reabertura das atividades e a retomada da economia, assim como eleva a chance de haver mais gastos do governo no combate à pandemia. A boa notícia é que a Anvisa aprovou hoje o uso emergencial da vacina da Janssen, mas, pelo contrato para aquisição de 38 milhões de doses, o Brasil só deve recebê-las no último trimestre de 2021.

Para piorar, lembra Xavier, da Sicredi, o noticiário negativo se impôs num mercado fragilizado e com liquidez fraca, refletindo os receios de montagem de grandes posições antes da definição da questão do Orçamento e com o feriado da Páscoa à frente. “Estamos em fim de mês, quando há muito ajuste nas carteiras e, ainda, amanhã tem leilão”, disse. Segundo ele, com “várias coisas acontecendo ao mesmo tempo”, o mercado tem tido movimentos mais “táticos”. (Denise Abarca – [email protected])

17:37

Operação   Último

CDB Prefixado 30 dias (%a.a) 2.66

Capital de Giro (%a.a) 5.73

Hot Money (%a.m) 0.64

CDI Over (%a.a) 2.65

Over Selic (%a.a) 2.65

MERCADOS INTERNACIONAIS

O desempenho negativo das ações do setor financeiro pesou sobre o Dow Jones, mas o S&P 500 e o Nasdaq avançaram, impulsionados por papéis de tecnologia. No trimestre, os três índices conseguiram sustentar ganhos de até quase 8%, apesar do quadro incerto da pandemia. Na sessão de hoje, a espera pelo pacote trilionário de investimentos em infraestrutura nos Estados Unidos ditou o tom dos negócios e deu impulso aos juros dos Treasuries, que aceleraram alta à tarde. O dólar, com isso, reduziu perdas ante rivais, em meio à desaceleração do euro após a França decretar mais um lockdown nacional para conter a covid-19. Já o petróleo caiu mais de 2%, diante da desconfiança em relação à retomada da demanda.

O presidente americano, Joe Biden, redobra aposta na política econômica com ênfase no investimento público e apresenta plano de cerca de US$ 2 trilhões para modernizar a infraestrutura, em um esforço para melhorar a competitividade do país frente ao meteórico avanço chinês. Parte do projeto será financiada por aumento de impostos, o que provavelmente atrairá firme oposição de republicanos e de democratas fiscalistas. Na ala mais à esquerda da legenda governista, por outro lado, parlamentares querem um pacote ainda mais ambicioso. “Não é suficiente”, criticou a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, em publicação no Twitter sobre especulações a respeito do texto que será apresentado por Biden.

Nos mercados, a ideia de mobilizar recursos para a infraestrutura agrada, apesar do desconforto com perspectivas por mais tributos. a gerente de portfólio da Janus Henderson Investors, Jane Shoemake, disse que o pacote é necessário para ajudar a “rejuvenescer” a economia após o choque da covid-19, mas lembrou: “Há um reconhecimento de que isso terá que ser pago em algum momento”.

Há ainda temores de que o plano forneça impulso à inflação. O presidente da distrital de Atlanta do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Raphael Bostic, contudo, minimizou os riscos de que isso aconteça, porque o dinheiro será gasto em um horizonte de até uma década.

De qualquer forma, antes do anúncio, os juros longos dos Treasuries aceleraram alta e, perto do fim da tarde em Nova York, o retorno da T-note de 2 anos avançava a 0,156%, o da T-note de 10 anos se elevava a 1,734% e o da T-bond de 30 anos aumentava a 2,409%. A secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, defendeu, em discurso nesta tarde, que os reguladores tornem o mercado de títulos públicos mais resiliente. Segundo ela, o Conselho de Supervisão de Estabilidade Financeira vai investigar as turbulências nos negócios em março de 2020, quando o choque da covid-19 ficou evidente. Presente na reunião, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse que as mudanças climáticas representam risco às responsabilidades da instituição e que seus impactos estão sendo avaliados pela autoridade monetária.

Em Wall Street, o destaque da sessão de hoje foram as big techs, lideradas por Apple, Amazon e Microsoft. Na ponta oposta, Goldman Sachs cedeu 1,51%, JPMorgan perdeu 1,46% e Morgan Stanley recuou 1,81%, ainda com o prejuízo do fundo Archegos Management no radar. O Dow Jones fechou em queda de 0,26%, a 32.981,55 pontos, o S&P 500 subiu 0,36%, a 3.972,89 pontos, e o Nasdaq se elevou 1,54%, a 13.246,87 pontos. No trimestre, os três índices tiveram ganhos de 7,76%, 5,77% e 2,78%, respectivamente.

Na Europa, o agravamento da pandemia esteve no radar de operadores. O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou o endurecimento das medidas para conter a disseminação do coronavírus por um mês, a partir de sábado. A Itália também deve decretar novo lockdown nacional.

A notícia apagou parte da demanda pelo euro, que reduziu ganhos e, no fim da tarde, se elevava a US$ 1,1725, enquanto libra subia a US$ 1,3781. O índice DXY, que mede a variação do dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, fechou em queda de 0,07%, a 93,232 pontos. No primeiro trimestre, o índice avançou 3,66%. “A força do dólar vem, em parte, do avanço da vacinação, que contribuiu para a melhora na confiança”, explica o Western Union.

O avanço da covid-19 segue como principal obstáculo para a recuperação da demanda por petróleo, que ficou volátil hoje e encerrou em forte baixa. Na Nymex, o contrato WTI com entrega prevista para maio fechou em baixa de 2,29%, cotado a US$ 59,16 o barril, e o Brent para junho recuou 2,29%, a US$ 62,74 o barril, na ICE.

Na véspera da cúpula de países exportadores, o secretário geral Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Mohammad Barkindo, afirmou hoje que a demanda pela commodity se recuperou neste começo de 2021, mas reconheceu que o ambiente ainda inflinge desafios. Nos EUA, os estoques do ativo enérgitico caíram 876 mil barris, conforme mostrou o Departamento de Energia (DoE), porém o dado acabou apenas monitorado. (André Marinho – [email protected])




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