APOSTA NO COMPROMISSO DO BC COM META CRESCE E AFASTA JUROS DO PESSIMISMO GLOBAL

O mercado de juros teve uma onda de alívio durante a tarde, que levou as taxas de médio
e longo prazos a se firmarem em baixa, enquanto a ponta curta se sustentou perto dos
ajustes anteriores. A desinclinação da curva ganhou contornos dada a percepção de que
o Banco Central não será leniente com a inflação, reforçada pelo discurso do diretor de
Política Econômica, Diogo Guillen, no fim da manhã. Ele afirmou que o colegiado está
unido no propósito de fazer o necessário para levar o IPCA para a meta. Assim, as taxas
locais acabaram se descolando do avanço dos rendimentos dos Treasuries, que acabou
penalizando vários outros ativos. A leitura forte do PMI dos EUA lançou novas dúvidas
sobre a possibilidade de corte de juros em setembro e recolocou no radar a chance, ainda
remota, de alta em 2024. As bolsas americanas caíram, com destaque para as perdas de
1,53% do Dow Jones, enquanto o S&P 500 cedeu 0,74%. O balanço da Nvidia agradou,
mas não foi capaz de evitar o recuo do Nasdaq, de 0,39% no encerramento da sessão. O
Ibovespa acompanhou os pares em Nova York e cravou a quinta sessão seguida de baixa,
terminando o dia com 124.729,40 pontos (-0,73%). O dólar teve alta generalizada e pesou
no petróleo, que acumulou quatro sessões de queda. O real escapou da pressão, dado o
ganho moeda americana acumulado na semana. O dólar à vista caiu 0,05%, para R$
5,1540.
•JUROS
•MERCADOS INTERNACIONAIS
•BOLSA
•CÂMBIO
JUROS
A curva de juros perdeu inclinação nesta quinta-feira, resultado de um leve viés de baixa
nas taxas da ponta curta e de uma queda firme nos trechos intermediário e longo. O
movimento refletiu um ajuste nas apostas do mercado no compromisso que o Banco
Central terá com a inflação a partir de 2025. Declarações do diretor de Política Econômica
da autarquia, Diogo Guillen, reforçando que o Copom está unido no propósito de levar o
IPCA para o alvo abriram espaço para o movimento.
Investidores aproveitaram para devolver parte dos prêmios acumulados na curva, após as
taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) terem subido aos maiores níveis em
mais de um mês ontem. Assim, por volta de 17h15, o juro do DI para janeiro de 2025 caía
de 10,399% no ajuste anterior para 10,385%, enquanto o do DI para janeiro de 2027
passava de 11,150% para 11,060% e o do contrato para janeiro de 2029, de 11,639% para
11,510%.
Em uma palestra, Guillen minimizou o racha entre os membros do Copom na última
reunião do colegiado, quando uma minoria formada pelos quatro indicados pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva votou por um corte maior, de 0,5 ponto porcentual, na
taxa Selic. Segundo o diretor de Política Econômica, todos os diretores do BC concordam
que a política monetária terá de ser mais “mais cautelosa, restritiva e flexível” daqui para
a frente.
Para profissionais do mercado, as declarações serviram como um esforço para indicar
que a autoridade monetária continuará comprometida com o controle da inflação mesmo
a partir de 2025. Assim, abriram espaço para compra de contratos na ponta mais longa da
curva, o que explica a perda de inclinação.
“Se você tem a visão de que essa próxima encarnação do BC vai ser um pouco mais
comprometida, a ideia é que, se não houver mais cortes da Selic agora, você joga parte
desse orçamento para a frente e isso ajuda a ter uma pequena queda na inclinação da
curva”, resume o economista-chefe da Terra Investimentos, João Maurício de Lemos
Rosal.
Os mandatos do presidente do BC, Roberto Campos Neto, e dos diretores Carolina de
Assis Barros (Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta) e Otávio Damaso
(Regulação) acabam no fim deste ano. Sete dos noves membros do Copom terão, então,
sido indicados pelo atual governo.
A aposta do mercado é que ciclo de cortes na taxa Selic provavelmente terminou na
última reunião, do dia 8, quando o Copom reduziu os juros de 10,75% para 10,5%. Nas
contas do economista-chefe do Banco Bmg, Flávio Serrano, a curva precificava no fim da
tarde de hoje 80% de chance de manutenção da taxa neste nível em junho. Para o fim de
2024, a precificação é de Selic em 10,65% – ou seja, com algum prêmio de alta ante o
nível atual.
A curva também indica alguma elevação da Selic no ano que vem, a 11,45%, nas contas
de Serrano – mesmo assim, levemente abaixo do nível de ontem, de 11,55%.
Nos departamentos econômicos, a expectativa majoritária ainda é por pelo menos mais
um corte. A mediana da pesquisa Projeções Broadcast para a taxa Selic no fim de 2024
subiu a 10,25% hoje, de 10% no último levantamento, feito no dia 14.
Todos esses fatores contribuíram para descolar a curva doméstica do exterior, onde os
Treasuries avançaram depois de números preliminares do Índice de Gerentes de Compras
(PMI, na sigla em inglês) terem surpreendido para cima e reforçado o discurso hawkish
adotado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na ata da sua última
reunião de política monetária, divulgada ontem.
O estrategista-chefe e sócio da EPS Investimentos, Luciano Rostagno, complementa que
o nível elevado atingido pelas taxas dos DIs ontem pode ter deflagrado algum movimento
de compra por estrangeiros, que costumam aplicar na ponta longa da curva. “O
movimento dos juros ontem deu um ponto de entrada para o investidor”, explica.
MERCADOS INTERNACIONAIS
Wall Street abandonou o cenário divergente desta manhã e amargou perdas, afastando o
mercado acionário de suas máximas históricas. A aversão ao risco deflagrada pela leitura
forte do PMI dos EUA lançou novas dúvidas sobre a possibilidade do Federal Reserve (Fed)
começar cortes de juros em setembro e, inclusive, colocou novamente no radar uma
chance remota (cerca de 1%) de alta de juros em 2024. O ambiente favoreceu ganhos dos
juros dos Treasuries e do dólar no exterior, em detrimento de commodities. Petróleo teve
queda pela quarta sessão seguida e metais tiveram forte recuo, particularmente o ouro.
Entretanto, o ethereum manteve sua escalada no setor cripto, mediante euforia em
antecipação à aprovação de ETFs nos EUA.
As bolsas de Nova York começaram o dia sem direção, com o Dow Jones em baixa
modesta, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq renovavam máximas intraday, apoiados pelo
salto da Nvidia. A gigante de semicondutores divulgou ontem um balanço com resultados
surpreendentes, receita recorde de US$ 26 bilhões no primeiro trimestre e projeções de
um segundo trimestre ainda melhor. Isso renovou a euforia com o potencial da
inteligência artificial e impulsionou outros pares de tecnologia e do setor de
semicondutores. [Leia mais na especial publicada às 7h de Brasília]
O cenário mudou após a divulgação dos índices de gerentes de compras (PMIs) dos
Estados Unidos em maio, na leitura preliminar da S&P Global. O PMI composto, que
engloba ambos os setores industrial e de serviços, subiu de 51,3 em abril para 54,4 em
maio, atingindo o maior nível em 25 meses. Somente o PMI de serviços avançou a 54,8 no
mesmo período, superando de longe a previsão da FactSet, que era de leve alta a 51,5.
Junto ao dado, o mercado também digeria a queda no relatório semanal de pedidos de
auxílio-desemprego, colocando em segundo plano dado de vendas de moradias abaixo
das expectativas.
No entanto, a Pantheon alerta que a leitura do PMI pode ser apenas pontual, ainda que
tenha assustado o mercado. A consultoria destaca que o componente de emprego
recuperou apenas metade do tombo inesperado de abril e vê sinais de enfraquecimento
do mercado de trabalho e da inflação, o que permitirá redução de juros do Fed em
setembro. Com visão semelhante, o Citi aponta ainda que os três PMIs continuam
distantes dos níveis elevados dos últimos anos e não tão distantes dos níveis de 2018-
2019.
De todo modo, os sinais de resiliência da economia americana motivaram redução nas
expectativas por cortes de juros do Fed em setembro, de 59% a 52,2% no fim da tarde, e
colocou no radar chance marginal (1%) de alta nas taxas em junho, segundo ferramenta
de monitoramento do CME Group. Presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic falou
nessa tarde que o BC americano não mudará taxas de juros agora , visto que a resiliência
dá mais tempo para os dirigentes “agirem sem pressa” e que a inflação nos EUA deve cair
mais lentamente do que em outras regiões.
Com isso, Wall Street trocou os ganhos com tecnologia pela aversão ao risco. O Dow
Jones fechou em queda de 1,53%, o S&P 500 caiu 0,74% e o Nasdaq recuou 0,39%. Na
ponta positiva, a ação da Nvidia saltava 9,32%. Na negativa, a Boeing tinha queda de
7,55%, depois de relatar deterioração em seu fluxo de caixa maior do que o antecipado
previamente.
Os rendimentos dos Treasuries ganharam impulso e alcançaram maior nível em três
semanas, embora o juro do T-bond de 30 anos tenha desacelerado parcialmente,
seguindo leilão de US$ bilhões em TIPS de 10 anos. O juro da T-note de 2 anos subia a
4,934%, o da T-note de 10 anos avança a 4,476% e o do T-bond de 30 anos tinha alta a
4,582%.
No câmbio, o dólar avançou ante rivais e boa parte das emergentes. Na marcação, o dólar
subia a 156,91 ienes, o euro recuava a US$ 1,0811 e a libra tinha baixa a US$ 1,2695. O
índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de moedas fortes, registrou alta de 0,17%, a
105,108 pontos.
A valorização dos ativos seguros americanos pesou sobre commodities, especialmente
sobre o ouro, e minou tentativas de recuperação do petróleo, que caiu pelo quarto pregão
seguido. Entretanto, a Navellier projeta que há perspectiva de alta para os preços do óleo
nas próximas semanas. Em Nova York, o ouro para junho fechou em baixa de 2,23%, a
US$ 2.337,20 a onça-troy, e o petróleo WTI para julho caiu 0,90% (US$ 0,70), a US$ 76,87
por barril. Na ICE, o Brent para agosto teve queda de 0,65% (US$ 0,53), a US$ 81,11 o
barril.
No setor de criptomoedas, o ethereum ganhava 1,12%, a US$ 3.769,61, de acordo com a
Binance, apesar do clima de aversão ao risco em Wall Street. Investidores do setor
aguardam aprovação dos fundos ETF de ethereum pela Securities and Exchanges
Commission (SEC, a CVM dos EUA). Analista Técnica e Trader Parceira da Ripio, Ana de
Mattos aponta que a expectativa é de que isso possa aumentar a confiança do mercado,
como ocorreu com o bitcoin, e projeta que o ethereum pode testar nível de US$ 4.565.
BOLSA
O Ibovespa retrocedeu no fechamento desta quinta-feira à casa dos 124 mil pontos,
operando agora em torno dos menores níveis do ano, em dia no qual os resultados da
Nvidia colocaram o índice Nasdaq, em Nova York, em nova máxima histórica durante a
sessão. Mas o índice de tecnologia acabou por se alinhar, do meio para o fim da tarde, ao
Dow Jones e S&P 500, todos em baixa no fechamento, em renovação de mínimas na etapa
final que levaram o Ibovespa também aos pisos do dia.
Se por um lado, desde Nova York, houve celebração dos números triunfais da Nvidia, por
outro a sessão foi pautada ainda pela progressão dos rendimentos dos Treasuries, em
linha com forte leitura preliminar sobre o índice de atividade (PMI) dos Estados Unidos em
maio, divulgada nesta manhã – e que reforça o cenário de juros altos por mais tempo na
maior economia do globo.
“Cenário externo permanece desafiador, o que se reflete na curva de juros dos Estados
Unidos. Os juros devem permanecer altos por tempo superior ao que se pensava,
mantendo a renda fixa como opção atraente para o investidor”, resume Charo Alves,
especialista da Valor Investimentos, mencionando também o ajuste de expectativas com
relação à Selic, que havia iniciado o ano com projeções de cortes mais acelerados –
estimativas que foram reconsideradas em direção ao meio do ano. “Agora, a expectativa é
de que possa terminar 2024 entre 10% e 10,5%”, bem perto ou mesmo no nível em que a
taxa básica do Brasil já se encontra, acrescenta Alves.
Assim, no fim do dia, o índice da B3 mostrava hoje baixa de 0,73%, aos 124.729,40
pontos, a quinta menor marca do ano para fechamentos. Foi também o menor nível de
encerramento desde 25 de abril, e o quinto revés consecutivo para o índice da B3, em
correção mais aguda nas últimas duas sessões – ontem, havia cedido 1,38%, no que foi
sua maior perda desde 10 de abril, dia em que havia iniciado uma sequência de seis
quedas. Na mínima de hoje, aos 124.430,54 pontos (-0,97%), o Ibovespa também foi ao
menor nível desde 25 de abril, então aos 123,7 mil.
Após ter subido na quarta-feira a R$ 25,9 bilhões, o giro financeiro recuou hoje para R$
22,0 bilhões. Na semana, o Ibovespa acumula até aqui perda de 2,67%, desde ontem no
negativo também no mês, em que cede agora 0,95%, o que eleva a retração de 2024 a
7,05%. Refletindo a cautela sobre o nível dos juros americanos e as dúvidas internas
sobre a orientação fiscal, quase todos os nomes de primeira linha cederam terreno na B3
nesta penúltima sessão da semana.
Na ponta do Ibovespa, destaque para Suzano (+3,68%), à frente nesta quinta-feira de CVC
(+2,50%), Lojas Renner (+2,21%) e IRB (+1,71%). No lado oposto, MRV (-4,79%), Carrefour
(-4,50%), Magazine Luiza (-3,40%) e Hapvida (-3,18%). Entre as ações com maior peso no
índice da B3, Vale ON cedeu hoje 0,60% e Petrobras caiu 0,85% (ON) e 1,00% (PN). Entre
os maiores bancos, as perdas chegaram a 2,04% (Banco do Brasil ON) no fechamento da
sessão, em que Santander conseguiu oscilar para o positivo (Unit +0,11%).
Lá fora, houve piora com relação à expectativa dos juros americanos, com pressão nos
rendimentos dos Treasuries que acabou por reverter o desempenho do Nasdaq, que havia
subido, mais cedo, a novo nível recorde durante a sessão, “impulsionado pelos excelentes
resultados da Nvidia em todas as linhas [do balanço], e acima do que se esperava pelos
analistas”, diz Rodrigo Alvarenga, sócio da One Investimentos, referindo-se ao ganho de
até 10% mostrado pela ação da empresa na sessão desta quinta-feira, em que fechou
ainda em forte alta de 9,32%.
“A Nvidia forneceu impulso significativo para a continuação do rali da inteligência
artificial, com resultados superando amplamente expectativas elevadas”, o que fez com
que as ações da empresa disparassem mais de 7% ainda no ‘after hours’ de Nova York na
noite de quarta-feira, quando os números foram divulgados, aponta em nota a Guide
Investimentos
17:29
Índice Bovespa Pontos Var. %
Último 124729.40 -0.7327
Máxima 125664.57 +0.01
Mínima 124430.54 -0.97
Volume (R$ Bilhões) 2.20B
Volume (US$ Bilhões) 4.27B
17:33
Índ. Bovespa Futuro INDICE BOVESPA Var. %
Último 125390 -0.2228
Máxima 126440 +0.61
Mínima 124950 -0.57
CÂMBIO
Após trocas de sinal ao longo do dia, o dólar à vista encerrou a sessão desta quinta-feira,
23, em queda de 0,05%, cotado a R$ 5,1540. Mais uma vez, as oscilações foram bem
contidas, com variação de pouco menos de quatro centavos entre a mínima (R$ 5,1263),
pela manhã, e a máxima (R$ 5,1603), à tarde. Na semana, o dólar acumula valorização de
1,02%.
No exterior, a moeda americana ganhou força em relação ao euro e à maioria das divisas
emergentes e de países exportadores de commodities, em meio ao avanço das taxas dos
Treasuries. Leituras preliminares de índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em
inglês) acima do esperado em maio nos EUA esfriaram parte das apostas em corte de
juros pelo Federal Reserve em setembro.
O real, que costuma apanhar mais em movimentos de fortalecimento global do dólar,
hoje se safou da maré negativa. Ajustes de posições e movimentos de realização de
lucros deram suporte à moeda brasileira, que tem, contudo, desempenho inferior a de
seus pares tanto no mês quanto no ano.
“Temos um ajuste hoje, mas o clima ainda é de tensão, o que mantém o dólar acima de R$
5,15. A percepção é de que o risco fiscal está se ampliando, o que aumenta o prêmio de
risco”, afirma o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.
Houve também um movimento de correção da alta de 0,77% ontem com diminuição dos
ruídos sobre eventual mudança da meta de inflação. Na quarta-feira, o ministro da
Fazenda, Fernando Haddad, causou desconforto ao dizer em audiência no Congresso que
a atual meta é “exigentíssima”.
Como ainda não foi publicado decreto regulamentado da meta contínua de inflação (3%
ao ano), voltaram à baila temores de um BC mais leniente na gestão da política monetária
a partir do ano que vem, quando o atual presidente da autarquia, Roberto Campos Neto,
será substituído por nome indicado pelo presidente Lula.
Fonte graúda da equipe econômica ouvida hoje pelo Broadcast afirmou que se o governo
“quisesse alterar a meta de inflação, teria feito no ano passado”. Em junho, o Conselho
Monetário Nacional precisará confirmar a meta de 2025 e 2026, além de fixar a de 2027,
caso o decreto com a alteração do regime não seja publicado.
Em evento pela manhã, o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, reforçou o
compromisso com a busca pela meta de inflação. Ele ressaltou que, apesar das
divergências no último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), os diretores
concordaram que a política “deveria ser mais contracionista”.
O economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, ressalta que o real tem um
desempenho recente bem inferior a de seus pares, que apresentaram uma recuperação
últimas semanas das perdas apresentadas em abril. A taxa de câmbio, diz Lima, já sofre o
efeito de “questões idiossincráticas” do país.
“Não dá para culpar muito o ciclo de commodities ou dizer que o comportamento do
dólar aqui é apenas reflexo de um fenômeno global. Há um aumento da percepção de
risco local que mudou o nível da taxa de câmbio”, afirma Lima, citando a troca no
comando da Petrobras, o dissenso na última reunião do Copom e aumento da
preocupação com a questão fiscal.
Lima observa que a fala de Haddad ontem trouxe um “ruído” adicional ao quadro
doméstico, que se refletiu até mais na curva de juros que na formação da taxa de câmbio.
Ele também menciona questões ainda não pouco esclarecidas no relatório bimestral de
receitas e despesas apresentado ontem pelo ministério do Planejamento como um dos
fatores que preocupam os investidores.
Apesar dos problemas locais, o economista ainda prevê taxa de câmbio mais perto de R$
5,00 no fim do ano, com eventual corte de juros pelo Fed no segundo semestre abrindo
espaço para um desempenho melhor das divisas emergentes. “O risco idiossincrático
está cada vez mais claro, mas os fundamentos ainda seguram a taxa de câmbio. Não vejo
uma disparada do dólar, a não ser que haja alguma mudança abrupta do cenário”, afirma
Lima.
17:33
Dólar (spot e futuro) Último Var. % Máxima Mínima
Dólar Comercial (AE) 5.15400 -0.0465 5.16030 5.12630
Dólar Comercial (BM&F) 5.5866 0
DOLAR COMERCIAL FUTURO 5151.000 -0.0582 5162.000 5127.500
DOLAR COMERCIAL 5155.000 -0.1936 5155.000 5155.000