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IMPASSE NO SENADO DOS EUA REDUZ OTIMISMO E NASDAQ CAI, MAS IBOVESPA AINDA SOBE 7,5%

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IMPASSE NO SENADO DOS EUA REDUZ OTIMISMO E NASDAQ CAI, MAS IBOVESPA AINDA SOBE 7,5%

Um impasse de última hora, no Senado dos Estados Unidos, em torno do pacote de estímulo de US$ 2 trilhões à economia diminuiu o ímpeto dos investidores na reta final dos negócios, o que levou o Nasdaq, por exemplo, a terminar em queda de 0,45% e afastou bastante o Ibovespa das máximas do dia. Ao mesmo tempo, o dólar voltou a ser negociado acima de R$ 5 na última hora do pregão, com queda inferior a 1%. Os democratas querem um aumento no valor do seguro-desemprego, mas os republicanos são contra. Foi o que bastou para limitar o otimismo dos agentes. O S&P 500 reduziu o avanço para pouco mais de 1%, enquanto o Dow Jones, favorecido pela disparada dos papéis da Boeing, subiu um pouco mais, 2,39%. Por aqui, o Ibovespa, que chegou a disparar mais de 11% no começo da tarde, desacelerou, mas ainda manteve alta firme, de 7,50%, aos 74.955,57 pontos. Trata-se da segunda sessão consecutiva de ganhos, depois da valorização de 9,69% da véspera, algo que não acontecia de forma consecutiva desde os dias 28 de fevereiro e 2 de março, sexta e segunda-feira posteriores ao carnaval. Na semana, os ganhos do Ibovespa totalizam 11,76%. No ano, contudo, o recuo ainda se mantém em 35,18%. O dólar ante o real, de olho na melhora externa, chegou a tocar na mínima de R$ 4,9735 no começo da tarde. Mas na medida em que o fôlego por risco foi diminuindo e em dia de fraco volume de negócios, a queda acabou perdendo força e, no mercado à vista, o dólar fechou em R$ 5,0326, em baixa de 0,97%. O aumento dos ruídos políticos, após o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, na noite de ontem, quando disse que havia “histeria” com o coronavírus e pediu para que a quarentena fosse feita apenas por idosos e grupos de risco, chamando a doença de “gripezinha”, não foi capaz de abalar a ponta longa da curva de juros, com os investidores mantendo seu foco no exterior. As taxas caíram fortemente, cerca de 90 pontos, nos contratos a partir de 2025, de olho no otimismo com o pacote americano. As taxas curtas também cederam, na esteira do IPCA-15 (0,02%) de março abaixo da mediana das estimativas (0,07%). Com isso, a taxa do contrato para janeiro de 2021, de 3,41%, renovou sua mínima histórica. Vale notar que, ao não comprar ou vender quase nada de NTN-B e NTN-F, o mercado entendeu que o Tesouro sinaliza que o pior já passou e que os investidores não estão mais com tanto ímpeto para se desfazerem de papéis.

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MERCADOS INTERNACIONAIS

Após se firmarem em alta na tarde desta quarta-feira, as bolsas de Nova York reduziram os ganhos e fecharam sem direção única, em meio a um novo impasse na tramitação do pacote fiscal trilionário de apoio à economia proposto pelo governo dos Estados Unidos. O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, alertou hoje para o fato de que nenhum país é autossuficiente, “não importa quão poderoso seja”, e falou em “profundo declínio” do comércio com a pandemia de coronavírus. Após uma sessão volátil, os contratos futuros do petróleo ganharam impulso com a possibilidade de votação da proposta de estímulos nos EUA, além de notícias do setor de energia. No mercado cambial, a busca menor por segurança e o efeito das recentes injeções de liquidez do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) enfraqueceram o dólar ante moedas fortes como o euro, a libra e o iene. Na renda fixa, os juros dos Treasuries não mostraram direção única, com alguns investidores ainda em busca da segurança dos títulos do Tesouro americano de curto prazo.

“Infelizmente, o estímulo fará pouco para solucionar nossas crise de saúde”, comentam analistas da corretora americana LPL Financial, em referência ao pacote fiscal proposto pelo governo de Donald Trump para apoiar indivíduos e empresas afetados pela pandemia de coronavírus. Na madrugada desta quarta-feira, autoridades americanas anunciaram um acordo no Senado sobre a proposta, mas a votação não ocorreu nesta tarde devido a um novo impasse: os democratas querem um aumento do valor seguro-desemprego, mas os republicanos são contra. No fim da manhã, a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, já havia afirmado que a proposta negociada no Senado precisaria de revisão quando chegasse à Casa. Para a LPL Financial, apesar dos efeitos limitados, os estímulos são um “grande passo” e podem ajudar a garantir uma “forte recuperação” quando a pandemia estiver contida.

Com o novo impasse, as bolsas de Nova York fecharam sem direção única, depois de terem mostrado força durante a maior parte do pregão. O índice acionário Dow Jones subiu 2,39%, a 21.200,55 pontos, o S&P 500 avançou 1,15%, a 2.475,56 pontos, e o Nasdaq caiu 0,45%, a 7.384,30 pontos. Durante a sessão, o mercado acionário americano foi apoiado pelas ações da Boeing, que subiram 24,32%. Segundo a mídia americana, o pacote fiscal do governo dos EUA inclui apoio financeiro à fabricante de aviões.

O petróleo, após apresentar volatilidade durante a sessão, fechou o dia com ganhos e ajudou a impulsionar o subíndice do setor de energia do S&P 500, que subiu 4,49%. A commodity energética foi apoiada pelo otimismo do mercado sobre o pacote fiscal americano, mas também por um avanço menor dos estoques de petróleo nos EUA. Além disso, relatos de uma possível intervenção americana na guerra de preços entre a Arábia Saudita e a Rússia estiveram no radar.

Na visão do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, “nenhum país é autossuficiente, por mais poderoso ou avançado que seja” e a pandemia de coronavírus causará um “profundo declínio” no comércio global. Em mensagem de vídeo gravada em sua casa, ele ressaltou, ainda, que o desafio exige uma resposta mundial. A Moody’s, por sua vez, revisou para baixo a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) dos países do G20 neste ano e agora espera uma contração de 0,5%. Segundo a agência de classificação de risco, a pandemia de coronavírus causará um “choque sem precedentes” neste trimestre atual.

Para a Capital Economics, a coordenação de esforços dos formuladores de políticas pelo mundo pode impedir um colapso do sistema financeiro, que amplificaria o choque econômico da pandemia de coronavírus. “Mas as tensões nos mercados provavelmente permanecerão significativas até que haja sinais de que as medidas para conter o vírus estejam funcionando”, ressalta Jonas Goltermann, economista sênior de mercado da consultoria britânica.

No mercado cambial, o otimismo com a possível aprovação legislativa dos estímulos fiscais nos EUA penalizou o dólar, que se enfraqueceu também em reação às últimas medidas anunciadas pelo Fed para aumentar a liquidez do sistema financeiro, como uma compra ilimitada de ativos e linhas de swap cambial com outros bancos centrais. O índice DXY, que mede a variação do dólar ente uma cesta de seis moedas fortes, caiu 0,97%, a 101,050 pontos. No final da tarde em Nova York, a moeda americana recuava a 111,20 ienes, o euro subia a US$ 1,077 e a libra avançava a US$ 1,184.

Os juros dos Treasuries, por sua vez, não mostraram direção única no pregão, com alguns investidores ainda em busca da segurança dos títulos de curto prazo do Tesouro dos EUA. No final da tarde em Nova York, o rendimento da T-note de 2 anos caía a 0,332%, o da T-note de 10 anos subia a 0,843% e o do T-bond de 30 anos registrava alta a 1,408%. (Iander Porcella – [email protected])

BOLSA

Após ganho de 9,69% no dia anterior, o Ibovespa engatou hoje a segunda sessão positiva, algo que não acontecia de forma consecutiva desde os dias 28 de fevereiro e 2 de março, sexta e segunda-feira posteriores ao carnaval, quando a Bolsa estava na faixa de 104,1 mil a 106,6 mil pontos naqueles respectivos fechamentos, embora já em tendência de declínio firmada a partir da quarta de cinzas. Hoje, o principal índice da B3 fechou em alta de 7,50%, a 74.955,57 pontos, perdendo parte do fôlego no fim da sessão, em linha com o observado em Nova York. Nesta quarta-feira, o Ibovespa oscilou entre mínima de 69.359,58 e máxima de 76.713,93 pontos, quando apontava ganho de 11,61%.

O giro financeiro totalizou R$ 28,7 bilhões, mostrando-se um pouco mais acomodado nas últimas três sessões, após a acentuação observada desde o carnaval, quando a volatilidade avançou com a disseminação do coronavírus fora da China. Assim como ontem, a B3 voltou a ampliar, desta vez a partir das 15h20, os limites de oscilação diária dos contratos futuros (IND) e futuros míni (WIN) de Ibovespa, de 10% para 15%, sobre o preço de ajuste do dia anterior. Na terça, havia ocorrido mais cedo, às 12h50.

Na ponta positiva, Gol, uma das ações mais depreciadas pelo coronavírus, subiu hoje 35,06%, seguida por Braskem, em alta de 31,75% no fechamento. Entre as blue chips, Petrobras PN avançou 8,08% e a ON, 8,02%, com Vale ON em alta de 8,53% no encerramento da sessão. Apenas três ações do Ibovespa registraram perdas no dia: Carrefour (-4,36%) e Pão de Açúcar (-2,78%), que haviam subido em sessões recentes com o aumento da circulação de clientes nos supermercados, e Telefônica Brasil (-1,79%)

Com os desempenhos positivos nessas duas últimas sessões, o Ibovespa amplia os ganhos a 11,76% na semana, após uma sequência negativa de cinco semanas. No mês, as perdas seguem agora em 28,05% e, no ano, em 35,18%. Apesar da forte progressão acumulada na terça e quarta-feira, o índice permanece abaixo do nível de fechamento do dia 13 de março, aos 82.677,91 pontos. O nível de hoje é o maior desde o dia 17, terça da semana passada, quando o Ibovespa encerrou aos 74.617,24 pontos.

Assim como ontem, o principal catalisador para as compras de ações na B3 veio de fora: o acordo no Senado dos EUA para o pacote de US$ 2 trilhões em estímulos à economia, o programa sem precedentes, de 750 bilhões de euros, adotado pela Alemanha e sinais de que os países da zona do euro podem recorrer ao Mecanismo Europeu de Estabilidade para combater as consequências do coronavírus. Nesse contexto positivo, os índices de ações em Londres e Frankfurt fecharam o dia com ganhos acima de 4% e, em Nova York, o Dow Jones, embora tenha limitado os ganhos observados mais cedo, encerrou a sessão em alta de 2,39%, após ter avançado ontem mais de 11%, no que foi seu maior ganho diário desde 1933.

“Há muita coisa positiva acontecendo no exterior, o que contribui para minimizar os ruídos por aqui”, diz Victor Lima, economista da Toro Investimentos. Em um primeiro momento, o mercado parece ter reagido com indiferença ao discurso de ontem à noite do presidente Jair Bolsonaro, em cadeia de rádio e TV, no qual atacou diretamente as iniciativas tomadas por estados e municípios para conter a progressão do Covid-19.

“Bolsonaro buscou marcar posição, dissociando a imagem pessoal de problemas sobre os quais não terá como agir individualmente”, observa Marcel Zambello, analista da Necton, chamando atenção para o desgaste político que tende a emergir de uma prolongada paralisia econômica, que afetará a renda e o emprego da população. “O ruído político existe, e será preciso observar agora como evoluirá: se permanecerá na retórica ou se terá efeitos concretos”, diz Lima, da Toro.

Mesmo antes do discurso presidencial, analistas de mercado já vinham destacando que a interrupção da atividade econômica cobraria preço alto, colocando em jogo o caixa das empresas e sua capacidade de sobrevivência à curva de evolução da doença – haveria um descasamento entre a necessidade rigorosa de quarentena e a imobilidade dos negócios. “O problema de Bolsonaro, mais uma vez, foi a linguagem”, diz uma fonte de mercado.

Nos EUA, o presidente Donald Trump sinalizou esta semana que pretende liderar um movimento de normalização da atividade para que, em torno do Domingo de Páscoa, os americanos voltem ao trabalho – no momento, o coronavírus ganha ímpeto no país, o que levou nesta semana a Organização Mundial de Saúde (OMS) a manifestar preocupação de que os EUA venham a ser o novo epicentro da doença. Hoje cedo, Bolsonaro confirmou em Brasília que o seu pensamento está em linha com o de Trump – ou melhor, conforme disse Bolsonaro, o de Trump está em linha com o dele.

Enquanto não se tem claro quando e como será adotada uma estratégia de saída da quarentena, o cenário mais imediato parece ser o de estresse político, especialmente entre a Presidência e os governos estaduais. Além do bate-boca entre Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em reunião entre o presidente e os governadores do Sudeste, um aliado, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), rompeu hoje com o ex-capitão. “Na política como na vida, ignorância não é virtude”, disse Caiado, médico, ex-líder da UDR (União Democrática Ruralista), citando o ex-presidente americano Barack Obama. (Luís Eduardo Leal – [email protected])

 

Índice Bovespa   Pontos   Var. % 

Último 74955.57 7.49508

Máxima 76713.93 +10.02

Mínima 69359.58 -0.53

Volume (R$ Bilhões) 2.87B

Volume (US$ Bilhões) 5.66B

 

 

 Índ. Bovespa Futuro   INDICE BOVESPA   Var. % 

Último 74600 8.11594

Máxima 76890 +11.43

Mínima 67700 -1.88

 

CÂMBIO

O dólar teve novo dia de queda, na esteira da melhora do ambiente de negócios no exterior após o acordo em Washington para aprovar o pacote emergencial trilionário do governo americano para contornar a crise do coronavírus, embora com direto a impasse no final do dia entre democratas e republicanos sobre o valor do seguro-desemprego. A moeda americana chegou a cair abaixo de R$ 5,00 na tarde de hoje, mas em dia de fraco volume de negócios, a queda acabou perdendo força na hora final dos negócios. No mercado à vista, o dólar fechou a R$ 5,0326, em baixa de 0,97%.

A piora do ambiente político, após o discurso ontem à noite de Jair Bolsonaro, defendendo o fim da quarentena no País, e provocando reações em governadores e parlamentares, foi monitorada de perto pelas mesas de câmbio, mas não chegou a influenciar os preços nesta tarde, com o impacto maior vindo do exterior. Na mínima de hoje, a moeda americana chegou a cair a R$ 4,9735, o menor valor intraday desde o último dia 17. Na máxima, foi a R$ 5,10.

“O discurso trouxe um pouco de dúvida, de pressão, mas não ajudou a piorar o dólar. Ficou a dúvida sobre o que virá pela frente”, disse o responsável pela área de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagen. Para ele, o principal fator para o alívio nas cotações hoje é que o mercado melhorou no exterior com o acordo no Congresso e a sensação é de que, com a aprovação do pacote de Trump, “vai dar uma bela aliviada de agora para frente”. A liquidez hoje, porém, está bem baixa, acrescentou ele. No mercado futuro, o contrato do dólar para abril movimentou apenas US$ 15 bilhões.

Para o diretor de moedas em Nova York da BK Asset Management, Boris Schlossberg, a perspectiva de aprovação do pacote emergencial de socorro em Washington ajudou a melhorar o humor dos investidores, fazendo as bolsas subirem forte ao redor do mundo e as moedas se recuperarem ante o dólar. No primeiro mundo, a libra subiu mais 1% e, nos emergentes, o dólar caiu 3,5% no México. Agora, diz ele, o foco das mesas de operação deve se voltar para as estatísticas dos novos casos e das mortes provocadas pelo coronavírus, especialmente na Europa e nos EUA. Ele acha “irrealista” a ideia de Trump de reabrir a economia americana até a Páscoa.

Vários relatórios de bancos hoje chamam atenção para possível impacto no dólar amanhã com a divulgação nos EUA dos pedidos semanais de auxílio-desemprego, que poderão dar ideia mais clara sobre o impacto da crise do coronavírus no emprego. Os economistas do Commerzbank esperam crescimento de dez vezes, para 3 milhões de pedidos. Este número, caso confirmado ou superado, pode enfraquecer o dólar ante divisas fortes, mas elevá-lo perante os emergentes ao estimular a busca por ativos seguros diante do temor de fraqueza da economia americana.

Estrangeiros seguem retirando recursos do país e desmontando posições cambiais. Dados do Banco Central divulgados hoje mostram saída de US$ 16,5 bilhões da Bolsa e renda fixa do Brasil este mês, até o dia 23. Em meio à retirada de recursos, somente ontem, os estrangeiros desmontaram mais US$ 1 bilhão de posições “compradas” em dólar futuro. Desde o último dia 9, quando estas apostas atingiram o pico em vários meses, elas já foram reduzidas em 200 mil contratos, o equivalente a US$ 10 bilhões, mostram dados da B3 compilados pela corretora Renascença.

A redução desta demanda por hedge no câmbio no Brasil sugere um ambiente pela frente um pouco mais favorável ao real, observam os estrategistas do grupo financeiro holandês ING, que preveem a moeda americana voltando para nível perto de R$ 4,50 no segundo semestre. Em 12 meses, preveem o dólar próximo a R$ 4,10.

A quarta-feira foi marcada ainda por forte queda do risco-País medido pelo Credit Default Swap (CDS) de cinco anos. No final da tarde, o CDS estava em 248,75 pontos, de acordo com cotações da IHS Markit. Mais cedo, as taxas estavam perto de 280 pontos e ontem bateram em 335 pontos. (Altamiro Silva Junior – [email protected])

 

 

Dólar (spot e futuro)   Último   Var. %   Máxima   Mínima

Dólar Comercial (AE) 5.03260 -0.9721 5.10880 4.97350

Dólar Comercial (BM&F) 5.1135 0

DOLAR COMERCIAL 5037.000 -1.27401 5110.000 4974.000

DOLAR COMERCIAL FUTURO 5048.000 -0.8641 5092.000 5000.000

 

JUROS

O aumento dos ruídos políticos entre ontem e hoje não foi capaz de abalar a ponta longa da curva de juros, com os investidores mantendo seu foco no exterior. As taxas caíram fortemente, cerca de 90 pontos, nos contratos a partir de 2025, uma vez que a chance de aprovação do pacote de US$ 2 trilhões do governo Trump pelo Senado americano cresceu após o fechamento do acordo e espalhou apetite pelo risco nos ativos globais. As taxas curtas também cederam, devolvendo prêmios na esteira do IPCA-15 (0,02%) de março abaixo da mediana das estimativas (0,07%). Com isso, a taxa do contrato para janeiro de 2021, de 3,41%, renovou sua mínima histórica.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou em 3,41%, de 3,68% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2022 terminou na mínima de 4,50% (ajuste ontem em 4,993%). O DI para janeiro de 2027 encerrou com taxa de 8,26%, de 9,083%.

A expressiva redução das taxas, contudo, não se deu com respaldo de grande volume, porque o mercado já passou por um movimento pesado de descarregamento de posições e, com o cenário ainda cheio de incertezas em função do coronavírus, a retomada da exposição ao risco se dá de forma bastante cautelosa. O quadro externo hoje deu oportunidade para o investidor buscar prêmios, mas o cenário fiscal, por outro lado não autoriza grande exposição.

Quanto aos ruídos políticos, após a reação negativa dos governadores ao pronunciamento ontem do presidente Jair Bolsonaro no qual minimizava o alcance da epidemia do coronavírus e condenava a atuação dos Estados com isolamento social e fechamento do comércio, não chegaram a estressar a curva. Na avaliação dos profissionais da área de renda fixa, a troca de farpas não ameaça ainda a governabilidade, tendo mais como pano de fundo o cenário eleitoral de 2022. Ainda, dizem, mal ou bem, o governo está cumprindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Por mais que Bolsonaro não queira quarentena e isolamento, tudo está sendo feito. O que tem sido feito está correto”, disse o operador de renda fixa da Terra Investimento Paulo Nepomuceno.

O operador destaca ainda que os resultados de atuações extraordinárias do Tesouro Nacional nesta semana ajudam a trazer alívio para a curva. A instituição tem comprado e vendido bem menos papéis do que as operações iniciais, o que é lido como uma normalização no mercado de títulos.

Nesta tarde, em entrevista para comentar o relatório da dívida pública, o coordenador-geral de operações da Dívida Pública, Luis Felipe Vital, disse que o Tesouro verificou maior estabilidade em alguns mercados de NTN-Bs longas e necessidade de atuar em mercado de NTN-Bs curtas. Afirmou ainda que a instituição seguirá atuando com tais operações por prazo indeterminado, “sempre que houver disfuncionalidade”.

A agenda de indicadores do dia foi cheia, mas o que fez preço mesmo na ponta curta foi o IPCA-15 abaixo da mediana. Com queda de preços de serviços e administrados, o dado deu a senha para nova rodada de queda das taxas, ao reforçar a necessidade de prosseguimento nos cortes da Selic, especialmente diante da estimativa de piora da atividade por causa do coronavírus nos próximos meses. A expectativa é de que a epidemia eleve ainda mais a deflação dos serviços e preços monitorados, puxando para baixo o índice cheio em março. (Denise Abarca – [email protected])

 

 

Operação   Último 

CDB Prefixado 30 dias (%a.a) 3.44

Capital de Giro (%a.a) 7.02

Hot Money (%a.m) 0.82

CDI Over (%a.a) 3.65

Over Selic (%a.a) 3.65

 

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