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[ABERTURA] PACOTE DOS EUA ANIMA, MAS DISCURSO DE BOLSONARO ELEVA RUÍDOS EM DIA DE AGENDA FORTE

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[ABERTURA] PACOTE DOS EUA ANIMA, MAS DISCURSO DE BOLSONARO ELEVA RUÍDOS EM DIA DE AGENDA FORTE

São Paulo, 25/03/2020 – Uma agenda interna forte – com IPCA-15, dados do setor externo e da dívida pública, além de leilões do BC e Tesouro -, deve dividir as atenções do investidor em meio ao otimismo persistente nas bolsas internacionais após a aprovação durante a madrugada do pacote fiscal trilionário nos Estados Unidos para enfrentar a crise provocada pelo coronavírus. Mas a repercussão negativa do pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, ontem à noite, deve pesar também no humor local, ainda que o rumo do dia dependa mais do exterior. No discurso, Bolsonaro voltou a falar em “histeria” sobre a pandemia e criticou o fechamento de escolas, entre outras medidas adotadas por governos e municípios. Disse que autoridades “devem abandonar o conceito de terra arrasada” e rever a proibição de transporte, o fechamento dos comércios e o “confinamento em massa”. Atacou novamente a imprensa e, sem mostrar até agora o resultado do seu exame, afirmou que “nada sentiria se fosse contaminado, quando muito, seria acometido de uma gripezinha ou resfriadinho”. Governadores, secretários de Saúde, os presidentes do Senado e da Câmara, ministro do STF, comandante do exército criticaram o discurso do presidente, que voltou a ser acompanhado também de panelaços nas capitais e cidades por todo o País durante a fala. O Broadcast apurou que o pronunciamento foi preparado no gabinete do presidente com a participação do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), considerado o mais radical da família presidencial, e de integrantes do chamado ‘gabinete do ódio’. Na pauta econômica, a expectativa é que a inflação medida pelo IPCA-15 deve arrefecer a 0,07% neste mês, o que se for confirmado será a menor variação para um mês de março desde a criação do Plano Real, em mais um sinal de economia estagnada. No câmbio e juros, além do apetite por risco lá fora, podem adicionar alívio ao dólar, que caiu ontem a R$ 5,08, e à curva de juros futuros uma nova operação compromissada em dólares, leilões de linha de até US$ 3,3 bilhões e uma oferta extraordinária de títulos públicos. Também a B3 deve se beneficiar do persistente otimismo externo, após ter subido 9,38%, recuperando mais de 6 mil pontos em só um pregão, ao fechar em 69.729,30 pontos. As bolsas europeias e os futuros de Nova York exibem ganhos mais discretos nesta manhã, após o Índice Dow Jones ter saltando mais de 11%, seu maior ganho porcentual diário desde 1933 e o S&P500 ter ganhado 9,38% – maior avanço desde outubro de 2008.

IPCA-15, serviços e contas externas na agenda local – O IPCA-15 de março (9h00) é um dos destaques do dia. As estimativas do Projeções Broadcast apontam para mediana de 0,07%, após alta de 0,22% em fevereiro. No mesmo horário tem o volume de serviços de janeiro, com mediana de 0,35% após alta de 0,40% em dezembro. Em seguida tem a nota do setor externo de fevereiro (9h30), com mediana de -US$ 3,5 bilhões no resultado das contas correntes, de -US$ 11,87 bilhões no mês anterior. Ainda pela manhã o BC realiza leilões de linha de até US$ 3,3 bilhões (10h20). À tarde, o Tesouro faz leilão extraordinário de compra (até 3 milhões) e venda (até 1 milhão) de NTN-B (15h00). E sai o relatório da dívida pública (16h30). Após o fechamento dos mercado, tem balanço da Eletrobras e JBS.

G7 no radar externo – Nos EUA, serão divulgadas as encomendas de bens duráveis de fevereiro (9h30) e os estoques de petróleo bruto (11h30). O Banco do Japão (BoJ) divulga sumário de opiniões (20h50). Ministros de Relações Exteriores do G7 realizam teleconferência.

Secretários de saúde dizem que Bolsonaro tenta desmobilizar esforço contra vírus – O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) afirmou ontem que o presidente Jair Bolsonaro, ao se pronunciar em rede nacional de TV, tentou “desmobilizar” a sociedade, autoridades sanitárias e o próprio Ministério da Saúde no combate à covid-19.

Alcolumbre e Maia criticam Bolsonaro – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), considerou grave o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro e cobrou uma liderança “séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população”. Já o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), classificou de “equivocado” e criticou o fato de Bolsonaro usar a estrutura da transmissão para atacar a imprensa, governadores de Estado e especialistas em saúde pública.

Governadores veem Planalto sem direção; deputados pedem saída de Bolsonaro – O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), disse que o pronunciamento do Presidente Jair Bolsonaro foi “desconectado das orientações dos cientistas, da realidade do mundo e das ações do Ministério da saúde e mostra que estamos sem direção.” Houve também enxurrada de críticas nas redes sociais, principalmente de deputados da oposição, que aproveitaram a onda de comentários negativos para pedir o afastamento de Bolsonaro.

Gilmar Mendes diz que “crise não sustenta o luxo da insensatez” – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes voltou a pedir que os brasileiros fiquem em casa após o pronunciamento de Bolsonaro. “As agruras da crise, por mais árduas que sejam, não sustentam o luxo da insensatez. #FiqueEmCasa”, afirmou Gilmar, em seu Twitter, sem citar o presidente.

Comandante do exército: Pandemia “talvez seja a missão mais importante da nossa geração” – O comandante do Exército, general Édson Leal Pujol, usou as mídias sociais para defender a “união de todos os brasileiros” no enfrentamento à covid-19. O discurso, divulgado em vídeo, tem apelo conciliador, ao contrário do tom de enfrentamento adotado pelo presidente Jair Bolsonaro em pronunciamento de rádio e TV ontem à noite. Segundo Pujol, o combate à pandemia “talvez seja a missão mais importante da nossa geração”.

“Orçamento de guerra” pode ter vacina contra “estado de sítio” diz Bolsonaro – A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do ‘orçamento de guerra’ com o objetivo de agilizar os recursos para o combate da crise do novo coronavírus, entregue ontem às lideranças da Câmara, contém duas permissões hoje previstas apenas quando é decretado estado de sítio. O Estadão/Broadcast apurou que o artigo com as duas medidas foi incluído pelo grupo técnico que elaborou a proposta, a pedido de deputados, como espécie de ‘vacina’ à possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro usar no futuro, no caso de agravamento da crise, a calamidade sanitária como pretexto para decretar estado de sítio.

Governo prevê 22,9 milhões de testes contra vírus – O Ministério da Saúde anunciou ontem, que pretende aplicar 22,9 milhões de testes do novo coronavírus pelo País. A promessa, porém, envolve produção acima da capacidade da Fiocruz, laboratório público responsável por fornecer boa parte dos exames. O Brasil já registra 46 mortes e 2.201 casos confirmados pela doença.

Gasolina acumula -40,5% no ano, mas não chega aos postos – A Petrobras anunciou ontem à noite redução no preço do litro da gasolina em 15% nas refinarias, a terceira queda em 10 dias e a décima no ano, acumulando redução de 40,5%, porcentual que ainda está longe de chegar ao bolso do consumidor. Apesar de ter registrado oito quedas consecutivas nos postos, até a semana passada, o preço da gasolina no varejo está apenas 3,87% menor do que há um ano, segundo a ANP. Em relação há um mês, a queda é de 1,12%, voltando aos níveis praticados em setembro de 2019.

BC amplia prazos de entrega de declarações de capitais brasileiros no exterior – O Banco Central anunciou há pouco a ampliação do prazo de entrega das declarações de Capitais Brasileiros no Exterior (BCE). O prazo para entrega da declaração anual (data base 31/12/2019) passou de 5 de abril para 1º de junho de 2020. Já a declaração trimestral (data base 31/03/2020) passou de 5 de junho para entre 15 de junho e 15 de julho de 2020.

IPC-Fipe sobe 0,10% na 3ª quadrissemana de março – O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,10% na terceira quadrissemana de março, desacelerando levemente em relação à alta de 0,12% verificada na segunda quadrissemana deste mês, segundo dados publicados hoje pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

PACOTE DOS EUA ANIMA

Congresso dos EUA aprova pacote de US$ 2 trilhões – Congressistas republicanos e democratas e o governo de Donald Trump chegaram a um acordo preliminar em torno de um pacote de estímulos econômicos estimado em US$ 2 trilhões para proteger a economia americana das piores consequências da pandemia do novo coronavírus.

Futuros de NY e bolsas europeias em forte alta As bolsas europeias e futuros de Nova York operam em forte alta, ampliando ganhos da sessão anterior, após aprovação de pacote fiscal nos EUA para amenizar o impacto econômico da pandemia de coronavírus. Às 7h15, o Dow Jones futuro subia 2,31%, o S&P500 futuro tinha alta de 1,26% e Nasdaq futuro avançava 1,20%. Londres +1,85%; Frankfurt +0,97%; Paris +1,83%. O euro estava em US$ 1,0836, de US$ 1,0755 no fim da tarde de ontem. A libra estava em US$ 1,1945, de US$ 1,1737. O índice DXY, que mede a variação do dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, caía 0,80%, aos 101,22 pontos.

Alemanha: índice Ifo cai a 86,1 em março; previsão 87,4 – O índice de sentimento das empresas da Alemanha caiu de 96 pontos em fevereiro para 86,1 pontos em março, registrando sua maior queda desde a reunificação das Alemanhas e atingindo o menor patamar desde julho de 2009, segundo pesquisa final divulgada hoje pelo instituto alemão Ifo. O resultado ficou abaixo da previsão de analistas, que previam queda a 87,4.

Mortes passam de 700 nos EUA – A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou ontem, 24, que os EUA devem se tornar o epicentro da pandemia de coronavírus no mundo. O país registrou ontem mais de 9 mil novos casos e chegou a 53 mil pessoas contaminadas, com um total de 700 mortes confirmadas. O maior foco de disseminação da covid-19 é o Estado de Nova York, que concentra metade dos casos.

Inflação do Reino Unido desacelera dentro do esperado – O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do Reino Unido subiu 1,7% em fevereiro ante igual mês do ano passado, de 1,8% observado em janeiro. O resultado de fevereiro veio em linha com a expectativa de analistas, mas afastou a inflação britânica da meta do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), que é de uma taxa de 2%.

Bolsas da Ásia fecham em alta – As bolsas asiáticas fecharam em alta pelo segundo pregão consecutivo nesta quarta-feira, após congressistas nos EUA chegarem a um acordo sobre um pacote trilionário para combater os danos econômicos relacionados ao novo coronavírus. Em Tóquio, o japonês Nikkei teve alta de 8,04%, a maior desde outubro de 2008. Na China, o Xangai Composto subiu 2,17%. Em Seul, o sul-coreano Kospi se valorizou 5,89%, enquanto o Hang Seng avançou 3,81% em Hong Kong. Na Oceania, o índice S&P/ASX 200 saltou 5,54% em Sydney. Às 7h15, o dólar caía a 111,30 ienes, ante 111,62 ienes no fim da tarde de ontem.

China discute 1º corte na taxa de depósito desde 2015 – O Banco do Povo da China (PBoC, pela sigla em inglês) está discutindo reduzir a taxa de juros que bancos pagam sobre depósitos pela primeira vez desde 2015, segundo fontes com conhecimento do assunto. O corte da taxa de depósito poderá ser anunciada nos próximos dias, dizem as fontes.

Petróleo volátil – Os contratos futuros de petróleo operam sem direção única, após subirem mais cedo ampliando os ganhos de ontem em meio ao apetite por risco sustentado pela aprovação de um pacote trilionário de estímulos nos Estados Unidos. Às 7h20, o petróleo WTI para maio subia 0,04%, a US$ 24,02 o barril, e o Brent para maio caía 1,47%, a US$ 26,75 o barril.

BC da Tailândia mantém juro básico em 0,75% – O Banco Central da Tailândia decidiu manter sua taxa básica de juros inalterada em 0,75%, após uma série de medidas de estímulos, incluindo um corte inesperado de 0,25 ponto porcentual na taxa básica nos últimos dias, visando amenizar o impacto econômico da pandemia de coronavírus.

BoJ pode comprar 80 trilhões de ienes em títulos – No sumário de opiniões da mais recente reunião de política monetária, os dirigentes do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) afirmaram que o BC pode decidir aumentar o valor total de suas compras anuais de títulos do governo japonês (JGBs) para 80 trilhões de ienes, devido à pandemia de coronavírus.

 

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